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[OFF-TOPIC]A procura de Malafaia e o achado de Boechat – ou o bacon da ética

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[OFF-TOPIC]A procura de Malafaia e o achado de Boechat – ou o bacon da ética

Mensagem por KaiserLeomon em Sab 11 Jul 2015, 1:20 pm



https://br.noticias.yahoo.com/blogs/alex-antunes/a-procura-de-malafaia-e-o-achado-de-boechat-ou-o-235651769.html

Alex Antunes é jornalista, escritor e produtor cultural e, perguntado se era um músico frustrado, respondeu que música é a única coisa que nunca o frustrou. Foi editor das revistas Bizz e Set, e escreveu para publicações como Rolling Stone, Folha Ilustrada, Animal, General, e aquela cujo nome hoje não se ousa dizer. Tem uma visão experimental da política, uma visão política do xamanismo, e uma visão xamânica do cinema.

Estou lendo algumas reclamações quanto à grosseria do jornalista Ricardo Boechat, proferida conta o “pastor” Silas Malafaia. Evidentemente trato das reclamações de quem não gosta de Malafaia; quem gosta não conta. Um conhecido diz “a fala de Boechat foi tão homofóbica quanto as do Malafaia”; uma amiga diz “a estima baixa das mulheres, intolerância religiosa, a ignorância, conceitos deturpados não se resolvem com p*, infelizmente, não”.

Suponho que a essa altura do campeonato todo mundo saiba que Boechat, respondendo ao vivo no rádio a tuítes de Malafaia, mandou-o “procurar uma rola”. A frase, muito pouco usual num embate entre figuras públicas, memetizou enormemente, gerando piadas e montagens (foto). Na verdade, exceto por essas reclamações que mencionei, ela causou uma onda de alívio, como se fosse necessário mesmo que alguém tratasse Malafaia com descaso e desacato (e não com mera discordância).

Para mim, é esse o ponto, e o acerto (intuitivo) de Boechat. Malafaia nunca procurou um debate intelectualmente honesto; assim como outras figuras neopentecostais oportunistas, como o “pastor” Marco Feliciano, ele se vale do ambiente politicamente correto para atacar o que o politicamente correto em tese defende: a boa convivência entre visões de mundo radicalmente diferentes.

Eu não tenho a menor dúvida da necessidade da cultura do políticamente correto. Por uma razão muito simples: ela cria uma rede de defesa imediata contra o abuso e a opressão – se gays, mulheres, negros, crianças ou qualquer pessoa estiver sendo ameaçada na sua integridade física e psíquica, é cada vez mais fácil acionar essa rede, e buscar prestar socorro ou reparação urgentes. Estamos falando, em boa parte dos casos, de segurança física mesmo. Os casos de intolerância contra o menino Rafael Melo, assassinado em Cariacica, e a menina Kailane Campos, ferida no Rio, não me deixam mentir.

Mas, ao contrário do que Malafaia, Feliciano e outros “religiosos” pretendem, não se trata sempre de um embate honesto e entre iguais. No caso deles, trata-se de gente que, aproveitando a relativa igualdade democrática, pretende restringir a liberdade alheia. Em outro texto, Porque Cristo faz mais sentido crucificado na parada gay do que na faixa na cabeça do Neymar, eu reproduzi uma reflexão muito interessante do jornalista evangélico Ricardo Alexandre: “o cristianismo é baseado na graça. É uma das únicas doutrinas comuns entre católicos, protestantes, evangélicos, pentecostais, anglicanos, episcopais etc. Na verdade, o escritor C.S. Lewis dizia que a graça é o grande elemento que distingue o cristianismo de todas as outras religiões. Graça é, por definição, imerecimento. É um movimento de amor em direção aos que não merecem ser amados. Os cristãos acreditam que foi isso que Deus fez pelos seres humanos, e os apóstolos diziam que é isso o que devemos fazer uns pelos outros. Ou seja: os discípulos de Jesus respeitam mesmo (ou talvez especialmente) quando não são respeitados”.

Ou seja, segundo essa concepção a religião não é um crachá que permite sair por aí dando carteirada moral nos outros, mas antes um compromisso com sua própria verdade interna. É essa habilidade de lidar com o diferente que foi cultivada no Brasil ao longo do século 20. Claro, há uma falha básica no “brasileiro cordial” e no “jeitinho brasileiro”, que consiste na hipocrisia de fingir que não há problemas, e contorná-los por meios ilícitos ou duvidosos.

O lado bom disso é que havia uma percepção cultural de que o diferente é OK, ou mais que isso. A cultura negra, por exemplo, foi tratada por artistas e pela “elite branca” em geral como um trunfo artístico e turístico. É hipócrita? É, mas certamente era melhor do que a simples ideia de extermínio. Desse ponto de vista, estamos andando para trás. Estamos formando – se é que posso chamar gente como Eduardo Cunha e a bancada BBB (bala, bíblia e boi) de “elite” – uma nova elite ainda mais injusta e carrasca, extinguindo os poucos vestígios de generosidade.

Porque Boechat acertou na veia? Porque ele deixou claro, claríssimo, o que acha de Malafaia. “Um idiota, um paspalhão, um pilantra, um tomador de grana de fiel, explorador da fé alheia (…) homofóbico, execrável, um charlatão que usa o nome de deus”. A rola foi só a cereja – ou melhor, o bacon. Assim como o bacon, o politicamente incorreto não pode ser a base da alimentação. Uma dieta exclusivamente de bacon seria mortal. Mas o bacon pode ser a “graça” da coisa, o que destaca e turbina o sabor do feijão com arroz da vida. O politicamente incorreto é o bacon da ética.

Porque a “rola” de Boechat não me parece nem homofóbica nem antifeminista? Primeiro, porque se trata do embate de dois homens heterossexuais – não haverá aí a ofensa que haveria se alguém se dirigisse assim a uma mulher ou gay. Segundo, porque ela converge com o fato de que quem é obsessivamente fixado na sexualidade alheia é porque tem problemas com a sua própria. O que Boechat disse (grosseiramente, é claro) é que quem se satisfaz não perde seu tempo todo tentando impedir a satisfação alheia – e que a frustração de Malafaia deve ter a ver com a homossexualidade que tanto o perturba. A procura de Malafaia por polêmica poderia ser substituida por outra.

Terceiro, porque Boechat dessacralizou numa só frase essa inversão opressiva do politicamente correto e a suposta “autoridade” de Malafaia. Malafaia não é nada. Com seu sotaque carioca e seu arroubo de sinceridade, Boechat restaurou por um momento libertador o “homem brasileiro”, com o toque de improviso e malandragem que costumávamos conhecer – aquele homem que ainda temos que melhorar, não piorar. Teve algo de xamânico essa fala. Causou um colapso no “pastor”, que tuitou seguidamente dezenas de vezes, se expondo cada vez mais, e culminou com um ato falho: “eu vou te engolir” (risos).

Neste texto, Dilma,Olavo e o pipiu do Jô, trato de uma outra grosseria que atingiu o alvo. Ela também é reveladora de como o politicamente correto não impede a hipocrisia e a opressão. Creio que há uma diferença essencial entre o funcionamento da sociedade de cultura protestante norteamericana, berço do politicamente correto, e a nossa, católica. Não lidamos tão bem com o regramento e a formalidade – aqui eles resvalam para a caricatura autoritária, como a imaginada por Malafaia. Na verdade, nem nosso catolicismo é puro. A grande mediadora psicossocial da sociedade brasileira no século passado foi a interface entre o espiritismo branco cristão e as religiões de origem africana. Ambas linhagens não são religiões-crachá; ambas acreditam (de maneira ligeiramente diferente) no papel das escolhas individuais.

Não creio que Boechat estivesse pensando grande quando desbafou. Mas o fez com uma intensidade e uma sinceridade que atingiu com força esse novo “homem coletivo” defensivo e covarde que hoje choca o ovo da serpente. Boechat falou pelo Brasil. Porque é importante mantermos a noção de que os “diferentes” do que é o Brasil são os cristãos neopentecostais, não o contrário. Se eles querem fazer parte do jogo, que engulam as diferenças. E aí eu poderei tirar as aspas de “pastor”.

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