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Underdog Crisis

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Underdog Crisis

Mensagem por Collector em Dom 04 Dez 2011, 3:00 pm

Nome da Fanfic: Underdog Crisis
Nome do Autor: Collector
Gênero Principal: Suspense, Mistério
Em que foi foi baseada: Pokémon
Recomendação Etária: 16+
Uma pequena Sinopse da História: Tudo começa quando Raz chega em Pastoria a fim de obter sua quarta insígnia e tem seus planos frustrados ao descobrir que o ginásio encontra-se fechado e sem previsão para ser reaberto. Então, presencia uma série de estranhos acontecimentos que culminariam com uma grande tragédia durante o Croagunk Festival, fazendo-o mudar seu objetivo e passar a investigar a fundo tais fenômenos, sem saber que se envolveria em um entrelaçamento de tramas e pesadelos sem precedentes em sua vida.

Notas do Autor:

Bem, essa é a fic em que eu estava trabalhando. Ainda não terminei o primeiro capítulo. Estou quase de férias agora e como quanto mais tempo livre eu tenho, menos coisas eu consigo fazer, decidi postar o tópico como uma forma de me obrigar a acabar logo xD

Não é a primeira história mais madura que escrevo, mas segue uma linha bem diferente de todas as que escrevi até então. Também posso dizer que essa fic foge bastante do padrão das fics de Pokémon e do anime no geral. Ou seja, não esperem nada sequer parecido com que o anime mostra.

História da Criação da Fic:

Vou contar um pouco sobre como essa fic foi concebida. É apenas a título de curiosidade, pois a história é longa e nem todo mundo deve ter paciência ^^

No início do ano passado eu havia postado uma fanfic chamada Digimon Endless Silence, que se dividia em duas partes distintas cujas cenas eram intercaladas. Uma parte ocorria no digimundo, mostrando a resistência de digimons tipo vírus que eram caçados impiedosamente pelos digimons anjos. Essa guerra se refletia em acontecimentos no mundo humano, a outra parte da história, onde estranhos fenômenos começaram a acontecer depois que tal caçada se iniciou.

O digimundo me agradou muito, mas o mundo humano, na melhor das hipóteses, não estava muito interessante. Com apenas dois capítulo, decidi interromper a fanfic e tentar pensar em idéias que pudessem deixar tal mundo mais atraente.

As idéias vieram, mas não eram compatíveis com a idéia central fanfic e não havia como combina-las. Por isso, acabei decidindo usar as idéias em uma fic original, sem a parte de digimon. Chamei provisoriamente de "Endless Silence". Escrevi 5 capítulos iniciais, descartei 4 deles e não cheguei a postar nenhum. O estilo e o nível de escrita me agradavam, mas senti que não estava muito divertida de se ler e que faltava um "norte" para a fanfic no geral, o que me fez deixar o projeto de lado, me focando em outros.

Mais recentemente, me veio a idéia de fazer uma fanfic de Pokémon usando como base os "restos mortais" da Endless Silence, nascendo então a Underdog Crisis. A verdade é que pouca coisa foi aproveitada, mas acho que essa fic não existiria se todas essas tentativas falhas não tivessem acontecido. (=

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Enfim, pretendo postar o primeiro capítulo ainda nessa semana, mas não sei ao certo o dia. Espero que gostem ^^"
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Re: Underdog Crisis

Mensagem por Rikaru Muzai em Seg 05 Dez 2011, 7:49 am

Uma Fanfic mais madura de Pokemon, algo que eu não vi até o momento. Acredito que será interessante se bem desenvolvida e me alegra saber que você não irá se prender ao Anime ou a algum padrão de Fanfics de Pokemon. Ainda não sei bem sobre o que se trata a Fanfic, como você pretende desenvolvê-la e tal, mas estou com grandes expectativas sobre ela, imagino que seja algo mais realístico, bem diferente do universo do Anime. Eu concordo com você, falhas são importantes para nos proporcionar a trilhagem de novos caminhos e de formar diferentes.

Lamento pela desistência da sua Fanfic de Digimon e da versão original dela, mas o importante é forcar nesta nova Fanfic, usar o que for aproveitável baseado nas suas intenções na Fanfic e descartar o que não tiver utilidade. Lhe desejo sorte e espero que desta vez as coisas se desenvolvam como você planeja, apesar de que erros são inevitáveis, o importante é você conseguir contorná-los e continuar com o desenvolvimento da melhor maneira possível. Aguardarei o Prólogo ou o Capítulo 01 para descobrir o rumo que a Fanfic irá tomar e o que você planeja para ela. ;D
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Re: Underdog Crisis

Mensagem por Collector em Ter 06 Dez 2011, 11:24 am

Obrigado pelo comentário, Rikaru Muzai ^^

A fic realmente é um pouco mais madura e não se foca muito em jornadas Pokémon, coletar insígnias, etc, como é o costume em fics do tipo. Provavelmente a maioria dos acontecimentos vai acontecer na mesma cidade xD

Eu ainda não me sinto totalmente seguro com essa fic, mas eu achei melhor postar para poder receber outras opiniões de como posso melhorar, pois estive trabalhando meio "às cegas" nos últimos tempos e não acho isso muito bom.

Também tive alguns probleminhas com o capítulo 01, pois não estava conseguindo colocar tudo o que queria sem deixa-lo enorme e por isso acabei dividindo em duas partes, o que fez com que o capítulo aparentasse um tanto incompleto. Estou tentando arrumar isso, mas ainda nessa semana eu postarei ^^
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Re: Underdog Crisis

Mensagem por Collector em Sex 09 Dez 2011, 4:21 pm

Enfim acabei o cap. 01. Ele é mais um prólogo do que um capítulo propriamente dito, pois não revela muito a respeito do que a história da fic vai tratar e nem sobre os personagens em si, apenas dá um esboço da atual situação.

Como estava muito grande para um prólogo (e nem tem metade de tudo o que eu queria que tivesse, imagine o tamanho que ficaria!), decidi postar na forma de um capítulo. Do 02 em diante sim é que teremos maior detalhamento sobre os personagens e a história central, por isso peço paciência à todos nesse momento inicial xD

Pra qualquer erro, sugestão, dúvida, etc, não se acanhem em comentar!


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Estava quase anoitecendo. O sol se punha ao longe e enfeitava com tons dourados aquele pequeno jardim do orfanato. Dois meninos aproveitavam seus últimos minutos de brincadeira antes que a governanta os chamasse de volta para o casarão. Rodeados por uma diversidade de arbustos e flores muito bem cuidadas, permaneciam sentados sobre a grama macia, um de frente para o outro, ao mesmo tempo em que utilizavam pequenos gravetos para fazer desenhos em um montinho de terra entre ambos. Vestiam roupas simples e não aparentavam ter noção do tempo que se passava.

O mais alto era excessivamente magro. Tinha cabelos negros e lisos, que caíam pouco abaixo de seus profundos olhos esverdeados e se destacavam em meio àquela pele clara. O outro aparentava ligeiramente mais jovem, com um físico mais próximo de um menino comum, cabelo castanho-claro e curto, além de possuir um olhar com a curiosidade e o brilho típico de uma criança, algo que faltava ao amigo.

O primeiro havia desenhado algumas pessoas com traços rústicos, que se resumiam a linhas tortas. Com o estranho detalhe que nenhum dos seres humanos possuía uma cabeça. Já o segundo não parecia saber o que desenhar. Já havia tentado e apagado várias vezes, sem obter algo que tivesse gostado. Já parecia prestes a desistir, aborrecido. Decidiu então quebrar o silêncio que imperava naquele fim de tarde.

- Renan, por que ninguém no seu desenho tem cabeça? – Perguntou com seu típico ar de curiosidade, que desaparecia no decorrer dos anos.
- Porque adultos são maus, só fazem coisas ruins e merecem isso, Raz! - Respondeu, sem olhar para o amigo. – Quando eu crescer, eu vou fazer maldade com todos eles! Eu prometo! Vai ser muito legal!

Renan soltou uma risadinha por conta do que acabara de falar. Após desenhar um último traço, ele encarou o outro menino com um sorriso. Entretanto, aquele não era um sorriso inocente de uma criança. Era algo que transcendia e muito tais características e que Raz só compreenderia muito tempo depois. Tudo o que o menino mais novo fez foi observar o amigo sem entender direito o que tudo aquilo significava.

- E você? Por que não desenhou nada? – Questionou o mais velho.
- Eu não sei... Não sei o que desenhar!

Por fim, ambos escutaram uma voz feminina gritar seus nomes, solicitando que voltassem para o casarão. Era o fim da brincadeira, por hora. Renan fugiria do orfanato três anos depois, levando consigo as vagas lembranças daquele fim de tarde. Nenhum dos dois se esqueceria.


Capítulo 01
O Estranho Intruso


O cheiro só podia vir daquele beco. Já passava da uma da tarde. Correndo agitadamente, um pequeno ser bípede e peludo adentrara naquele local. Não devia ter mais da metade da altura de um adulto comum. Sua cabeça era arredondada, com orelhas pontudas como as de um gato e olhos grandes em formato de círculo azul celeste. Seu pelo era azul celeste em sua maior parte. Excetuavam-se apenas a metade inferior de seu rosto, a região do tórax e seus pés, todas com cor creme.

- Munch... Munch... – Retirou as tampas de duas latas de lixo em próximas à janela de uma das residências daquele beco. O cheiro não vinha dali.

Olhou mais ao fundo. Não era um beco imundo como a maioria dos outros. Os donos daquelas residências de tijolos provavelmente o conservaram bem. Andou mais alguns passos e conseguiu sentir melhor o cheiro. Vinha de uma janela que estava parcialmente aberta. Munchlax segurou o vão de madeira e, fazendo muito esforço para erguer os mais de cem quilos que pesava, conseguiu subir e adentrar. Encontrou-se perto de uma pia metálica.

Finalmente, achou o que havia farejado à distância: peixes crus e fatiados estavam sobre um prato ao lado da pia. Aquilo parecia ser uma cozinha. Era pequena, limpa, não muito organizada e com poucos equipamentos. Como se poucas pessoas vivessem ali ou não fizessem muitas refeições em casa. Provavelmente alguém estava preparando o almoço naquele momento, pois havia uma panela fechada sobre a chama acesa de um fogão, mas que não exalava nenhum aroma atraente ao Pokémon.

Ele já se preparava para atacar o peixe cru, quando viu um vulto caminhar rapidamente passando em frente à porta da cozinha e parar no corredor, próximo dali, porém sem notar sua presença. Era mulher adulta, alta, magra, de pele clara, rosto fino. Seus cabelos eram compridos, lisos e de cor castanho-claro, com algumas mexas loiras, presos na forma de rabo de cavalo. Vestia apenas um roupão branco amarrado na cintura e parecia conversar ao celular. Vendo que a moça estava distraída, Munchlax decidiu começar a comer, aproveitando o fato de não ter sido notado.

- Ah... Nem aconteceram tantas coisas estranhas assim... Só algumas crianças que saíram de casa por conta própria e nunca mais foram vistas, três casos de suicídios de pessoas que também pareciam serem normais e quarenta e quatro relatos de assombrações. E isso tudo nas últimas cinco semanas... Acho que vou demorar menos do que imaginava para terminar esse trabalho... Sabe quando poderemos pegar férias? – A adulta disse ao telefone.

Ao mesmo tempo, Munchlax começou sua aguardada refeição enfiando duas fatias inteiras em sua boca, mastigando-as em uma fração de segundos. Depois, foram três de uma só vez. Ele não estava dando atenção para o que a mulher falava. Concentrava-se em comer e achou que devia fazer isso rápido, antes que a humana lhe notasse. Não que ele já não comece rápido normalmente.

- Claro que não! Não acredito nessas invenções de gente perturbada. Viu a última? Estão dizendo que a culpa de todas essas esquisitices terem acontecido é dos Pokémons Shinys, que levam a desgraça e o caos para onde quer que vão. – Disse a mulher, entonando um forçado tom dramático nessas últimas palavras. – Quanto antes eu acabar isso, melhor.

Agora sim a atenção de Munchlax foi obtida. Já havia escutado a palavra “Shiny” uma vez. Não sabia o que era, mas aquela garotinha dissera que ele era um Shiny uma vez. Sentia falta dela. Sempre lhe deu comida e brincava sempre que ele queria e somente quando ele queria. Mas agora ela não pode mais brincar com ele, nunca mais poderá. Nem alimenta-lo. Por isso, precisa pegar comida por conta própria, mesmo que sem que as pessoas saibam, pois era uma necessidade. Coçou sua parte traseira por alguns instantes e tornou a comer. Entretanto, antes que mais uma fatia fosse estraçalhada, o Pokémon sentiu algo que fez todos os pelos de seu corpo se arrepiarem simultaneamente. Pensou se tratar de uma imaginação, mas um rosnado raivoso tratou de fazê-lo descartar a ideia.

Virou o rosto lentamente. Estava tão entretido com a refeição que não notou um Pokémon subir sobre a pia e posicionar-se atrás dele. Aparentava ser um cão pequeno, de pelo preto, cauda curta, focinho avermelhado e faixas brancas em suas patas. Seus olhos negros demonstravam uma raiva extrema e Munchlax tinha certeza que ele era a causa, algo que o fez decidir agir rápido.

Antes que a fera se movesse um milímetro, o Pokémon faminto saltou pela janela desesperado. O movimento foi brusco o suficiente para atrair a atenção da mulher, que apenas conseguiu ver algum ser peludo saindo de sua cozinha. Houndour seguiu-o imediatamente, como um predador atrás de sua caça. A dona da casa se aproximou da janela e notou que havia fatias de peixe faltando em sua pia.

- Mas o que? Que droga... Acho que tinha algum Pokémon selvagem roubando minha comida! Não se pode deixar janelas abertas nessa cidade... Que raios de fim de mundo é essa cidade! Mas tudo bem, o Hokke vai estraçalhar aquela coisa, seja lá o que for. – A mulher falou ao telefone, em um tom que beirava o sádico.

Munchlax corria pelo beco para salvar sua vida. Já fora perseguido várias vezes em furtos anteriores e não queria que o machucassem de novo. Entretanto, sua velocidade era extremamente inferior ao de seu perseguidor. Em uma tentativa desesperada de atrasa-lo, deu um forte tapa em uma das latas de lixo, jogando-a para trás.

Vendo o objeto vir em sua direção, Houndour abriu sua boca, lançando uma onda de chamas contra ele. Contudo, parece que o cão confiou mais no poder de sua técnica do que deveria, pois a mesma não foi capaz de destruir o alvo, que acabou o atropelando e atrapalhando a perseguição. Soltou um grunhido de dor, mas logo se recompôs. Sorte do Pokémon comedor, que conseguiu sair do beco e virar à esquerda.

- Munch! Munch!

Ele continuou correndo com o pouco de velocidade que conseguia atingir, atraindo a atenção de algumas pessoas que passavam pelo local. Não demorou muito até perceber que seu perseguidor tornou a segui-lo, encurtando a distância que os separava rapidamente.

O ser faminto procurou alguma outra coisa para jogar contra a criatura, mas não havia nada. Passou pela sua cabeça a ideia de jogar uma pessoa, mas isso seria errado, pensou. Encontrou então um possível esconderijo logo no final da rua. Aparentava ser um colégio abandonado. O prédio era horizontalmente largo, com apenas dois andares, paredes pintadas com tinta branca desgastada e várias janelas que deveriam ter sido de vidro, mas tinham apenas tábuas de madeira pregadas para impedir a passagem de alguém. Havia um estacionamento em frente, com espaço para apenas uma fileira de carros, mas nenhuma das vagas estava ocupada.

Sem pensar duas vezes, correu até uma das janelas e saltou impulsionando todo o seu peso para frente. O impacto fez com que as tábuas velhas se despedaçassem. Lá dentro, encontrou-se em um corredor escuro. O piso era ladrilhado com as cores verde e branco, mas estava coberto por poeira. As paredes eram brancas, com várias rachaduras. Viu que havia várias portas de madeira em um dos lados do corredor, todas abertas. Escolheu uma delas na sorte e adentrou, sem saber que suas patas deixaram pegadas bem nítidas por conta de toda a poeira que impregnava o chão.

Munchlax encontrou o que aparentava ser uma sala de aula. Havia algumas poucas carteiras universitárias metálicas, a maioria danificada, janelas bloqueadas com uma madeira aparentemente melhor conservada, um quadro negro empoeirado e uma mesa para professores totalmente feita de madeira e parcialmente devorada por cupins. Decidiu então se esconder em baixo desse último objeto, pois não havia outra opção. Apressou-se ao escutar algo se aproximando.

Em seu esconderijo, Munchlax arfava e tentou fazer o mínimo de silêncio, na expectativa de que não seria descoberto. Porém, começou a escutar passos cada vez mais próximos de onde ele estava. Não podia enxergar o corredor na posição em que estava, mas sabia que algo se aproximava. Era como se seu perseguidor soubesse que ele estava ali, apenas andava devagar para permanecer atento e não dar brechas para uma escapada. A ideia o apavorava e ele começou a tremer. Era punição demais para alguém que apenas invadiu uma cozinha em busca de comida.

Entretanto, o que veio a seguir foi inesperado: Munchlax escutou primeiro um estalo e, em seguida, o som de algo começando a ser arrastado. Os rosnados de Houndour foram subitamente substituídos por um grunhido de cachorro assustado. Ouviu também o barulho de garras arranhando o chão de madeira, como se a criatura tentasse se manter no lugar, mas uma força superior o impedia. O Pokémon faminto arrepiou-se novamente e começou a temer ainda mais. Sentiu que havia outra coisa naquela sala. Algo muito mais ameaçador do que aquele cão que o perseguira...

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Raz havia acabado de chegar a Pastoria naquele início de tarde. A cidade parecia bem diferente do que ele imaginava. Sabia que era próxima a um grande pântano, com construções simples e bastante dispersas sobre aquela terra úmida, além de ter inúmeras árvores de grande porte que formavam uma cerca natural que delimitava aquele local e uma saída para o mar, ao sudeste. O que diferia realmente de sua imaginação era aquela agitação toda.

O número de pessoas presentes na cidade estava maior do que o habitual. A proximidade do Croagunk Festival atraía naturalmente alguns turistas e competidores para Pastoria. Mas, além disso, o ginásio de Crasher Wake estava fechado para reformas, o que fez com que alguns treinadores decidissem se hospedar por ali, esperando até poderem ter a chance de batalhar pela insígnia. Esse era o caso de Raz. Poderia ter ido para outra cidade e tentar batalhar com outro líder de ginásio. Porém algo o prendia a esse local, algo que não sabia explicar. Chegava a ser irônico. Algo alheio à sua vontade quase o impedira de iniciar sua jornada e, agora, novamente via-se impedido de progredir, mas por conta de algo que poderia ter sido evitado.

O céu estava cinzento, dando um tom fúnebre que contrastava com um ambiente tão movimentado e repleto de pessoas conversando freneticamente. Raz ainda não tinha nenhum local para dormir quando anoitecesse, mas sua primeira atitude foi procurar algum lugar onde pudesse se alimentar, pois a travessia pela extensa Rota 212 havia demorado mais do que o imaginado e seu estômago reclamara.

Ele se dirigiu para a primeira lanchonete de esquina que avistara. Era um estabelecimento simplório, denominado Cranidos Lanches. A superfície dos bancos, das mesas e do balcão era de uma pedra básica de cor azulada, sustentados por metais acinzentados, mesmas cores que o Pokémon que dava nome ao local tinha. O horário de mais movimento ali já havia passado e uma das empregadas limpava aos resmungos o piso de cerâmica azul de toda a imundice que as pessoas conseguiam produzir em poucos instantes.

Raz havia se sentado em um banco próximo ao balcão, de onde conseguiria observar com maior facilidade a pequena televisão encostada no alto da parede branca. O almoço que o garoto havia pedido se resumia a uma coxinha e um refrigerante de marca popular. Pode parecer pouco, mas, comparado ao tipo de refeição que costumava ter no orfanato, aquilo era um banquete. Após dar a primeira mordida e sentir toda aquela gordura contaminar seu paladar, direcionou seu olhar para a televisão.

Estavam sendo exibidas fotos de um Pokémon, que era semelhante a um leão pequeno do tipo elétrico. A maior parte de seu pelo era de cor azul em espécies normais, mas o que aparecia na imagem tinha pelos amarelados.

- Como estávamos dizendo, esse Shinx é um exemplo de um Pokémon Shiny! São criaturas muito, mas muito raras de se encontrar na natureza. – Disse uma voz feminina.

A seguir, a tela voltou a exibir cenas dentro de um estúdio jornalístico. Uma jovem repórter bem arrumada entrevistava um senhor de idade sério, que vestia trajes formais e tinha um grande bigode grisalho em seu rosto.

- Estamos aqui com o professor Rowan, o mais renomado pesquisador de Pokémons de Sinnoh! Professor, nas últimas semanas houve vários relatos de que a presença de Pokémons shiny estaria relacionada a estranhos acontecimentos sobrenaturais e também causando mudanças drásticas de comportamento em algumas pessoas que tiveram contato com tais criaturas. Ontem, por exemplo, exibimos o relato de uma mãe que afirma que o filho teria encontrado um Starly shiny e, poucos dias depois, o menino pulou do telhado da própria casa, alegando que queria voar e... Não resistiu aos ferimentos da queda. A mãe disse que ele sempre havia sido um garoto normal e que a mudança de comportamento só ocorreu quando essa Starly apareceu, sendo que o Pokémon fugiu logo após o incidente. O senhor acredita que existe relação entre os Pokémons shiny e tais ocorrências que, na maioria das vezes, são trágicas?
- Em primeiro lugar, boa tarde a todos que estão assistindo! Não existe nenhuma comprovação de que haja envolvimento entre Pokémons shiny e tais fenômenos. Devo admitir que nós temos dificuldades para conduzir pesquisas com essas criaturas, dado a sua extrema raridade no meio natural e sua facilidade em escapar. Porém volto a frisar: não é comprovação de que exista qualquer relação entre os Pokémons e esses acontecimentos.
- Muito obrigada pela participação, professor! – Disse a repórter, virando-se para a câmera em seguida – E aqui encerramos mais um Curiosidades da Vida Pokémon, trazidos para vocês pela Jubilife TV! Mais informações na próxima semana, nesse mesmo canal e mesmo horário!

Raz não deu muita importância para a notícia. Não passava pela sua cabeça a existência de fenômenos sobrenaturais. Para ele, eram tudo invenções da mente humana e que um jornal sensacionalista tentava propagar enquanto semeava o pânico. Entretanto, antes que voltasse a dar continuidade em seu almoço, viu um sujeito sentar sobre o banco ao seu lado, carregando um copo de vidro com um líquido que suspeitava se tratar de alguma bebida alcóolica, mas não tinha certeza. Inesperadamente, ele começou a falar:

- Você não parece ser da cidade... Eu vi quando batalhou com outro garoto na entrada da cidade. Está aqui para enfrentar o Wake? – Questionou, com uma voz grave e séria.

Tratava-se de um garoto um pouco mais velho do que Raz. Ele era magro e alto, com olhos de cor caramelado. Tinha pele clara, barba por fazer, cabelo loiro escuro, liso, curto e um pouco mal penteado, como de alguém que acabara de acordar, ideia reforçada pelas aparentes olheiras em sua face. Vestia uma camisa xadrez preta e branca aberta sobre uma camiseta cinza, calça jeans escura e tênis de marrom claro com algumas tiras mais escuras. Por alguma razão, Raz sentia que aquele era o tipo de pessoa que uma mãe certamente diria para o filho não se aproximar.

- Sim... – Respondeu secamente.

O homem encarou Raz com um pouco de estranheza, como se estivesse esperando algum questionamento sobre o porquê da pergunta. Vendo que não obteria outra resposta, decidiu continuar dando rumo para a conversa.

- Você sabe que pode demorar pro ginásio ser aberto, não é? E que o Wake só aceita dois desafios por dia e isso significa que você pode ficar um bom tempo por aqui...
- Aonde quer chegar? – Interrompeu Raz, desconfiado, antes de dar outra mordida em sua coxinha. O homem tomou mais um gole da bebida, respirou fundo e encarou-o com seriedade.
- Posso conseguir um esquema pra você ser o primeiro desafiante a ser recebido... Em troca de um favor...
- Não, obrigado.

Tinha certeza de que aquilo era uma encrenca e tinha inteligência mais do que o suficiente para saber que deveria evitar. Com a resposta, o tom de seriedade do homem desmoronou e ele voltou a encarar o rapaz, mas com uma expressão que remetia a alguém prestes a começar a implorar.

- Eu só preciso que você derrote um treinador! Por favor!
- E por que não faz isso você mesmo?
- É que... Eu não levo jeito pra essas coisas... – Respondeu, aparentando bastante incômodo e constrangimento. – Esse treinador fez algo terrível e eu preciso que alguém me ajude a consertar o estrago! E você parece ser a pessoa certa para isso, pelo que eu vi naquela batalha!

Raz ficou um pouco hesitante. Não sentia pena ou vontade de ajudar aquele indivíduo, mas sentia que algo aconteceria se aceitasse. Podia não saber o que era, mas sentia que algo incomum desde que entrara na cidade. Acabou pensando um pouco, antes de tornar a responder.

- Talvez eu possa ajudar... – Disse, fazendo o rapaz abrir um sorriso de orelha a orelha. – Mas o que ele fez, porque quer que ele seja derrotado e que esquema é esse em que eu vou ser o primeiro a ser atendido?
- Eu vou te explicar... Mas a história é longa. – O outro respondeu, tornando a olhar para frente.
- Sem problemas. – Raz respondeu. Não tinha a mínima noção de tudo em que acabara de se envolver.
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Re: Underdog Crisis

Mensagem por Wolf em Sex 09 Dez 2011, 5:05 pm

Primeiro a postar no chap \o

Bom primeiro to feliz em ver vc voltar a escrever, mesmo tentdo trocado digimon por pokemon
Spoiler:

sua traidora maldita!

Er..enfim primeira coisa q tenho q comentar é q o nome da fic é horrivel
É serio,esse é um dos exemplos q um nome em portugue sia ter ficado muito melhor

Mas vamos ao capitulo:
Eu adorei a fic, ela corre bem e os dialogos tão naturais, já deu pra reprar q vai ser uma fic a la esdras, o que é totalmente inovador no caso de pokemon ( nem tanto,se vc ler o adventures e algumas tirinhas como o nuzlocke challange,mas comparado ao anime lol)
Não deu pra sacar muito da historia,mas eu não diria q ta um prologo, ta como um capitulo 1 da maioria das suas fics ( onde raramente a historia aparece logo de começo)
De critica só tenhoq vc descreve muito mal os poks, é dificl reconhecer, não sei como vc me mestrava desse jeito lol

Espero a proxima
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Re: Underdog Crisis

Mensagem por Collector em Ter 13 Dez 2011, 8:42 pm

Bem, foram anos escrevendo só fics de Digimon... Acho que eu precisava tentar algo novo xD E jura que achou o nome ruim? Eu gosto dele até x.x

Que bom que gostou! Não diria que vai ser muito estilo Esdras. Vai ter algumas cenas um pouco mais fortes, mas nada do tipo tripas voando ou órgãos sendo devorados. E tentarei melhorar a descrição dos bixos!

A postagem de capítulos não vai ser rápida, mas vou tentar não demorar taaanto assim.
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Re: Underdog Crisis

Mensagem por Leonardo Polli em Dom 18 Dez 2011, 1:46 pm

Olha só, Colle resolveu inovar \o Não sou daqueles que amam Pokémon, mas eu tenho lá uma certa atração pelo anime. A premissa da fanfic é bastante interessante, tendo como protagonista Raz, um jovem que acaba de chegar em Pastoria atrás de sua quarta insígnia e logo já dá de cara com um homem estranho... o que esse homem quer? Será ele um vilão?

O que me aguçou mais foi o passado de Raz, com seu amigo de infância Renan. Eles serão inimigos agora no presente? E por que Renan nutre um ódio quase mortal pelos adultos? Será que ele sofreu abuso sexual? oaueoa foi o que passou pela minha cabeça. A idéia dos Pokémons Shiny é interessante também, ao meu entender são pokemons raros e que provavelmente estão ligados com acontecimentos sobrenaturais... E aquela mulher da casa em que o Munchlax invadiu, ela é uma espécie de policial investigadora desse caso? \o

A sua ortografia continua excelente, como sempre. Apenas ressalto a mesma coisa que o Wolf disse, descreva melhor os pokémons \o Abraços, boa sorte com o trabalho e espero o próximo!
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Re: Underdog Crisis

Mensagem por Collector em Qui 22 Dez 2011, 3:20 pm

Grato pela presença, Leo. Que bom que gostou da premissa da fic. As intenções do homem vão ser reveladas nesse capítulo. Sobre o passado de Raz e Renan, é algo que vai se desenvolver aos poucos nos próximos capítulos, mas não é nada que envolva abuso sexual =O

Sobre os shinys e a profissão da mulher, também saberemos mais nos próximos capítulos. E tentarei melhorar a descrição das criaturas sim!

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Mauri já havia passado dos vinte e cinco anos de idade. Já havia tentado cinco profissões diferentes nos últimos tempos, porém não conseguiu se estabelecer em nenhuma delas. Em alguns dos casos, tivera apenas azar. Em outros, não levava jeito mesmo. Disposto a dar um novo rumo à sua vida, decidiu se tornar um treinador Pokémon. Afinal, era algo diferente de tudo o que havia feito e se julgava preparado para encarar as dificuldades que encontraria.

Depois de receber seu Turtwig, decidiu que precisava rapidamente de um número grande de criaturas, por isso decidiu visitar o Great Marsh. Demorou um pouco até conseguir encontrar um Pokémon que não fugisse e nem o humilha-se em uma batalha. Era um pequeno ser de formato esférico, com orelhas arredondadas, sem patas dianteiras e manchas brancas em suas bochechas. Sua cauda era fina, com formato de ziguezague e ligava eu corpo a uma esfera, sobre a qual permanecia sentado, quase tão grande quanto seu corpo. Estava próximo a um lago e fitava Mauri com curiosidade, sem saber das intenções daquele homem.

Ele, por sua vez, não tinha a mínima ideia de que espécie era aquela e decidiu usar sua Pokédex. O aparelho de cor vermelha analisou os dados e revelou que se tratava de Azurill, um Pokémon bebê do tipo normal. Porém, havia algo estranho. O que aparecia na foto do equipamento tinha cor azul, mas o ser que estava diante de Mauri era verde. Embora não entendesse muito do assunto, foi fácil concluir que aquilo era algum tipo de raridade e que precisava captura-lo de qualquer jeito.

- Se ele é raro... Será que é mais forte do que outros Pokemons? Se for, vai ser muita sorte! Definitivamente, eu nasci para ser treinador de Pokémon! – Disse o rapaz, animando-se. – Só que ele parece tão fraquinho... Bom, ele deve ficar forte algum dia. Mas talvez seja arriscado tentar batalhar... Talvez eu deva tentar a sorte! Afinal, eu tenho sorte de sobra.

Confiante, pegou um objeto esférico, dividido em uma metade branca e outra vermelha por uma tira negra com um círculo branco pequeno, e o jogou contra a criatura. A Pokébola lançou um raio avermelhado sobre Azurill, absorvendo-o e caindo sobre o solo úmido. Após balançar por alguns segundos, parou de se mover, completando a captura.

- Isso! Eu sou foda mesmo! Nem precisei batalhar! Agora, só precisamos encontrar alguns outros Pokémons por aqui e vou ter meu time completo ainda hoje!

Mauri estava bastante animado com o início de sua jornada, mas tal sentimento estava com as horas contadas. Não só não conseguiria capturar nenhum outro Pokémon na Great Marsh, como também perderia Azurill com a mesma facilidade com a qual o obtivera.


Capítulo 02
Retrato de um Intrépido Brincalhão


A moça que tivera sua cozinha invadida por Munchlax havia ido para a rua. Como estava muito calor para o seu gosto, ela saiu vestindo uma blusa branca sem mangas e com algumas flores coloridas bordadas, além de calça jeans lisa de cor preta e sapatilhas simples de mesma cor. Seus longos cabelos castanhos foram deixados presos. Aquela era Serenity. Aparentava estar na casa dos vinte e oito anos. Ainda que não utilizasse maquiagem ou enfeites em seu dia-a-dia, era atraente para uma boa parte dos homens.

Estava em Pastoria apenas temporariamente, pois residia em Saffron, na região de Kanto. Seu trabalho oficial era vender determinados produtos importados que não podiam ser simplesmente enviados pelos correios, por diversas razões. Entretanto, havia uma segunda tarefa imposta por um de seus chefes, que deveria manter em segredo durante certo tempo.

Ela inicialmente não se preocupou quando seu Houndour saiu perseguindo o intruso, pois confiava cegamente nas habilidades da criatura. Foi seu primeiro Pokémon e acumulava anos de treinamento. Entretanto, o tempo passou e o cão não retornara, o que a motivou a sair de casa e ir atrás dele.

Estava acompanhada por um outro Pokémon canino. Porém este tinha pelos alaranjados, com algumas listras negras. Havia pelos de cor dourada maiores em sua cabeça, cauda e eu seu tórax. Ele balançava o rabo alegremente, feliz por estar acompanhando sua dona. Ela havia pedido para que a criatura de fogo farejasse os rastros de Hokke, uma tarefa simples para quem tinha um olfato tão apurado.

O cão seguia os vestígios deixados para trás e latia para sua treinadora para chamar sua atenção. Não demorou muito até que eles se aproximaram do colégio abandonado no final da sua. Serenity não teve dúvidas: o invasor e seu Pokémon haviam entrado ali. Algumas pegadas que levavam até a janela aberta eram visíveis. Porém, antes que pudesse se aproximar, acabou encontrando uma conhecida vinda do outro lado da rua.

Era uma garota que aparentava ser pelo menos dez anos mais nova. Era também um pouco mais baixa, de cabelos ondulados e de cor caramelo. Trajava uma camiseta verde sem detalhes, shorts jeans e tênis preto com algumas faixas brancas. Ela voltava após fazer algumas compras, carregando várias sacolas em suas mãos. Serenity então explicou-lhe o que estava fazendo naquele momento.

- Seu Pokémon entrou naquele colégio? Tem certeza? – Perguntou a menina, que aparentava não estar muito feliz ao escutar aquilo.
- Claro que tenho. Ele correu atrás daquela coisa peluda... – Respondeu Serenity. – Por que, Bridget? O que tem de mais?

A garota havia ficado arrepiada e incomodada com aquilo, o que soou ainda mais estranho para a mulher mais velha, que não compreendia. Um tanto constrangida, ela tratou de explicar.

- Você não deve saber da história porque não é daqui... Mas dizem que esse colégio... É mal-assombrado! – Afirmou aflita. Serenity a olhou, incrédula.
- Bridget... Você não tem mais idade para acreditar nessas historinhas...
- Eu sei que parece loucura! Mas mesmo assim... Dá medo! Esse colégio funcionava normalmente até algum tempo atrás. Só que um dia, aconteceu uma coisa tensa: uma aluna do segundo ano se desequilibrou da escada e caiu feio. Ela quebrou a coluna vertebral, ficou inconformada com a ideia de ficar presa em uma cadeira de rodas, chorou por cinco dias seguidos depois de ter voltado pra casa e, no sexto dia, cortou os próprios pulsos... Ai então, os alunos começaram a contar para os pais que escutavam barulhos parecidos com choro em certos horários do dia, viam goteiras em dias em que não estava chovendo, como se fossem lágrimas, e escutavam um barulho que parecia de uma cadeira de rodas se movendo. E alguns até disseram que viram a defunta! Os pais então começaram a tirar os seus filhos da escola e manda-los para outra e então acabaram fechando o colégio por conta da falta de alunos. Mas mesmo assim, dizem que a menina assombra o lugar até hoje!

Bridget falava em uma velocidade excessiva, de modo que a interlocutora precisou fazer grande esforço para não perder nenhuma informação. Ao final de tudo, Serenity precisou conter o riso diante de tudo aquilo que acabara de escutar.

- Bridget... É só um prédio velho... – Comentou, tentando acalma-la.
- Bom... Você é que sabe... Vou voltar porque preciso treinar mais para o Croagunk Festival. Até mais! – A garota afirmou, retirando-se com tanta pressa que Serenity acreditou se tratar de medo. A mulher apenas balançou a cabeça negativamente e virou-se para Growlithe em seguida.
- Vamos lá, Elvis, antes que a assombração apareça.

O cão apenas soltou um latido animado e os dois se aproximaram do prédio abandonado. Entretanto, quando já estavam pisando sobre a grama seca, perto de uma das janelas, a animação do Pokémon desapareceu. Growlithe ficou tremulo durante alguns instantes, sentindo que havia algo bastante assustador dentro daquele edifício. Um tanto temeroso, ele olhou para sua treinadora. Esta aparentemente não havia sentido coisa alguma e mantinha uma postura firme diante do antigo colégio. Elvis então decidiu se esforçar ao máximo para oprimir o medo que estava sentido. Afinal, uma treinadora corajosa merecia Pokemons igualmente corajosos.

||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||

Raz caminhava pelas ruas de Pastoria ao lado de Mauri, o homem que o abordara no Cranidos Lanches. Após ouvir a história, havia decidido ajuda-lo. Não por ter se comovido, longe de ser isso. Talvez a insistência excessiva tivesse sido o fator decisivo. No orfanato sempre era assim: pediam algo, ele se negava, insistiam muito e ele cedia. Era uma fraqueza a qual ele tinha dificuldades em combater.

- Então... Uma semana atrás você ficou bêbado e trocou seu Azurill shiny por um Wooper comum com um cara e agora está arrependido? – Perguntou Raz, para confirmar se havia entendido.
- Não fiquei bêbado! Bebi só um pouco mais do que o normal... Na hora eu achei que a troca era uma boa. Sabe... O Azurill nem tinha golpe de atacar e o Wooper tem!
- Realmente... Mas o Wooper não é difícil de encontrar nessa região. Já um Azurill shiny...
- Já sei! Já sei!

Mauri parecia severamente incomodado sobre a péssima imagem que deveria estar transmitindo. Normalmente não se importaria com o que as pessoas pensam. Entretanto, demonstrar incompetência em qualquer tentativa de obter uma profissão sempre era algo que o colocava para baixo. Porém Raz não parecia se importar com a quantidade de neurônios que funcionavam na cabeça daquele indivíduo. Apenas não conseguia enxergar como ele poderia ajudar.

- E o que te faz pensar que ele vai desfazer a troca se eu o derrotar em uma batalha? Ele não tem nenhuma obrigação...
- Ah... O cara que trocou comigo é daquele tipo que se acha fodão e acha que é melhor que todo mundo. Ele se acha tanto que eu aposto que ele apostaria até a mãe dele em uma batalha, mesmo se ele não tiver noção de quem ele tá enfrentando. E olha... A casa dele é logo ali.

Os dois agora estavam diante de uma casa simples, quadrada, de um único andar, com paredes feitas com tijolos de cor vermelho-escuro e um telhado de barro marrom-claro. Mauri havia parado diante da porta de madeira esverdeada, um tanto hesitante. Uma súbita insegurança havia impedido que começasse a bater o objeto. Raz tentou espiar algo através de uma janela próxima, mas uma cortina roxa bloqueava sua vista. Com o silêncio instalado, voltou-se para o homem e viu que o mesmo ainda não havia feito nada.

- Mudou de ideia? – Perguntou. Apesar do tom irônico, uma pequena parte de si mesmo estava agora desejando que a resposta fosse afirmativa, como se aquela quietude ocultasse algo ruim.
- Não! Claro que não! – Respondeu o rapaz, elevando sua voz.

Enchendo-se com uma coragem temporária, ele finalmente decidiu bater na porta. Entretanto, ela cedeu na primeira batida, mostrando que não estava trancada. Ambos ficaram surpresos inicialmente. Mais espantoso para Raz foi quando Mauri abriu a porta completamente, sem fazer muita cerimônia. Revelou-se diante da dupla uma sala de estar com mobília predominantemente de madeira e simples. Havia dois sofás azuis bem conservados, vários quadros espalhados pelas paredes brancas, uma mesa de centro de vidro e algumas prateleiras. Estava um tanto escuro, pois a única fonte de luz vinha da porta recém-aberta. A única coisa incomum que foi notada é que havia sete xícaras com café sobre a mesa, todas aparentemente intocadas.

- Não deveria abrir a porta de outras pessoas assim, mesmo que não esteja trancada... – Disse Raz.
- Tem razão... Melhor voltarmos de... Ahh!!!

Antes que desse meia volta, Mauri assustou-se ao ver que alguém havia aparecido na sala. E o motivo do susto foi sua aparência: era uma senhora de idade trajando um vestido simples, florido e longo, calçando sandálias rasteiras. Seus cabelos grisalhos estavam presos. Sua pele encontrava-se tão pálida como o leite e sua magreza era tanta que havia a impressão que ela poderia se quebrar como um ganho seco. O rapaz havia pensado se tratar de uma morta-viva no primeiro instante, mas viu que era uma pessoa quando a mesma caminhou até o centro da sala e colocou uma oitava xícara de café sobre a mesa. Foi só então que ela reparou na dupla de invasores.

- O que... Vocês estão fazendo aqui? – Perguntou. Seu modo de falar era tão pausado e em baixo volume que realmente fazia Mauri pensar em alguém à beira da morte. – São amigos... Do meu filho? Sa-sabem onde ele está?
- Err... Não... A gente veio aqui tentar falar com ele, mas já que ele não tá... – Respondeu o rapaz, parecendo sentir um arrepio por cada palavra que a senhora pronunciava, só por causa de sua aparência de morta-viva.
- Por favor... Não vão embora ainda... Se são amigos do meu filho, entrem e sentem-se... Vou buscar uma xícara de café para cada um...

Mauri definitivamente não queria entrar. Entretanto, contrariar aquela mulher parecia ser uma ideia que lhe dava ainda mais medo. Ela era terrivelmente assustadora e ele acabou por aceitar. Raz o seguiu. Após a porta ser fechada, a luminosidade do cômodo diminuiu drasticamente. A senhora se retirou para buscar o que prometera.

Sem se sentar, o homem olhou à sua volta, parecendo ligeiramente surpreso por descobrir que a pessoa que queria ver derrotada morava em um lugar assim e tinha uma mãe como aquela. Fugia bastante da imagem de cara fodão que tinha em sua cabeça. Até ver algo em uma das paredes que lhe chamou a atenção.

- Hey, Raz! Olha isso daqui! – Chamou Mauri.

Ele apontava para um dos quadros na parede. Era a figura de um pequeno Pokémon coelho bípede, de pelos marrons, uma estrutura semelhante a um algodão na ponta de suas orelhas, região da barriga e nas patas. Era um Buneary. Algumas lágrimas estavam desenhadas caindo de seus olhos negros e o fundo era de coloração roxa, com algumas figuras negras estranhas e distorcidas.

- O que é? – Perguntou Raz, sem saber o que tal quadro tinha de tão especial.
- Esse é um dos Quadros dos Bunearys Chorando. Diz a lenda ter um desses em sua casa trará tristeza sem fim. E não adianta se livrar deles. Uma vez em sua residência, a tristeza nunca vai ir embora. Não se sabe muito sobre quem pintou esses quadros. Mas dizem que, em alguns deles, dá a impressão de que o Buneary que foi desenhado estava morto... É sinistro, não é? – Explicou Mauri, com uma singela tentativa de imprimir algum tipo de medo.
- Vai ver por isso que aquela senhora está daquele jeito.

Obviamente, aquilo era uma ironia. Raz não acreditava naquele tipo de coisa. Renan sempre dizia que não se devia acreditar em nada do que os adultos falavam. Ouviu isso durante toda a sua infância e acabou desenvolvendo algum tipo de filtro para todo o tipo de informação que escutava, nunca acreditando em algo logo de primeira. Mauri iria responder algo, espantado com a frieza do jovem, mas outra coisa chamou sua atenção imediatamente.

- Olha! Minha mãe tinha um desses!

Mauri pegou uma caixinha de uma prateleira. Era pequena, de madeira, pintada de preto. Havia centenas de pequenos papéis coloridos enfileirados dentro. Raz já não se impressionava mais com a falta de modos do rapaz. Apenas olhou para o objeto com desinteresse.

- Eles dizem que você pode tirar um papel daqui de dentro e vai encontrar algo sobre o seu destino escrito. – Disse Mauri, que retirou um e leu o que estava escrito. Começou a rir sem parar, a ponto de algumas lágrimas se formarem em seus olhos. Parecia ter esquecido completamente o motivo que o trouxera ali e o temor inicial que tivera em sua chegada. Raz se assustou um pouco, mas sem demonstrar. – Esse treco nunca erra! Mas não posso dizer o que tava escrito, é contra as regras! Por que não tenta tirar um pra você?

Raz pensou em se negar. Porém Mauri lhe parecia ser o tipo insistente e o garoto não queria contraria-lo desnecessariamente. Acabou puxando um papel, sem depositar muita fé naquela brincadeira. Mas, ao ler, assustou-se durante uma fração de segundos.

- Ele irá acordar em breve e revelar ao mundo o que você fez... - Leu para si mesmo. – Como...

Aquela mensagem o surpreendeu de fato. Mas não havia outra possibilidade além de ser apenas uma coincidência. Sim, não tinha como outra pessoa saber. Pelo menos era o que pensava. Procurou ignorar e disfarçar o espanto inicial, vendo que Mauri continuava analisando toda a sala, em busca de alguma outra coisa que chamasse sua atenção. Até que escutaram passos que aparentemente indicavam que a senhora estava retornando...

||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||

Serenity e seu Growlithe haviam entrado no prédio através da janela que Munchlax abrira anteriormente. Nuvens escuras começavam a cobrir o céu, de modo que a luminosidade no interior do colégio abandonado diminuíra bruscamente. Lá dentro também, a agitação da cidade foi completamente substituída por um silêncio mórbido. O cão ainda tinha a certeza de que havia algo estranho no ar, mas tentava demonstrar segurança em seus passos firmes, porém cautelosos e atentos a qualquer anormalidade. Já a mulher agia com total naturalidade. Foi fácil perceber as pegadas que haviam se formado sobre o piso, por conta de toda a poeira, que levavam a uma das salas. Algumas eram pequenas, aparentemente as de Houdour. Já as outras eram grandes, possivelmente da criatura invasora.

- Estranho... Está tão quieto... Será que o Hokke ainda está aqui? – Ela perguntou.

Ambos continuaram caminhando, sem ouvir nada que não fosse a própria respiração e seus passos. Tiveram que se livrar de algumas teias de aranha pelo caminho, porém nada grave. Finalmente, chegaram perto da porta por onde as pegadas levavam. Ela estava aberta. Serenity parou de caminhar antes que pudesse enxergar o que havia lá dentro. Havia sentido um súbito arrepio, porém dera pouca atenção. Já Growlithe parecia estar certo de que algo ruim aconteceria. Não conseguia disfarçar a tremedeira e olhada para os lados como se estivesse esperando que algo aparecesse do nada.

- Hum? O que foi, Elvis? Não acredito que está com medo... Vamos, vamos resolver isso logo. – Ordenou a mulher, embora ainda sentisse alguma sensação incômoda.

Mesmo contra a própria vontade, Growlithe permaneceu fiel e acompanhou sua treinadora quando estava atravessou a porta. Eles encontraram uma sala quase vazia, apenas com alguns móveis quebrados e muito antigos. As pegadas de Houndour terminavam quase no centro do local. Próximo a elas, havia várias marcas de arranhão pelo piso, algumas bem profundas. As pegadas da outra criatura iam até a mesa do professor e também acabavam. Serenity se aproximou do centro, um tanto intrigada com aquilo.

- Estranho... Será que teve alguma luta aqui? Todos esses arranhões... E as pegadas acabam... Como?

Não era possível mais ouvir um único ruído do exterior. O silêncio reinava totalmente. Enquanto a mulher tentava chegar a uma possível resposta para aquele mistério, Growlithe se encolheu ao seu lado, sentindo cada vez mais uma presença forte. Nunca havia estado tão assustado em sua vida e tinha a sensação de que algo aconteceria nos próximos instantes. Serenity começou a estranhar esse comportamento. Ele nunca fora um cão covarde. Era certo de que havia algo muito diferente no ar.

- O que foi, Elvis? Nunca te vi assim...

Antes que a mulher completasse a frase, uma gota de água caiu sobre sua testa. Ela olhou surpresa para o teto imediatamente. A pintura dele estava bastante desgastada e, em alguns pontos, o concreto estava exposto. Entretanto, não havia nenhum sinal de que havia goteira. Foi como se a água tivesse caído do nada. Growlithe agarrou-se à perna de sua mestra, ainda mais assustado.

- Está bem... Acho melhor procurar em outro lugar, pois o Hokke não está aqui... – Tentou amenizar a mulher.

Porém, ao se virar para trás, quase caiu para trás com o susto. Olhou estarrecida para uma cadeira de rodas que estava em frente à porta. Era metálica, com o assento gasto, com diversos buracos e coberto por pó. Não havia percebido como aquilo havia ido parar ali e a história de Bridget veio à tona em sua cabeça.

- Assombrações não existem. Tem alguém querendo brincar com a gente! – Bradou Serenity, parecendo à beira de perder a calma.

Embora tentasse se manter firme, a mulher não sentia plena confiança em suas próprias palavras. Boa parte disso era por conta do comportamento de Growlithe: nunca o cão se mostrara tão assustado. E, como acreditava que Pokémons podiam sentir coisas que os humanos não podem, tinha certeza de que realmente havia algo estranho naquele colégio.
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Re: Underdog Crisis

Mensagem por Gatsu*~ em Seg 26 Dez 2011, 1:40 pm

Yay, finalmente li o primeiro! Puta merda, que preguiça que eu tava. Ainda bem que a superei hehehe...

Gostei bastante! A leitura fluiu ótima e as descrições estão muito bem feitas (as de locais, pois a dos pokémons eu concordo com a maioria em dizer que você pode melhorar MUITO)... Bem, como sempre você continua craque em fazer protagonistas pouco simpáticos e mais na deles (Raz=Ryoma? o.o)...

Renan e seu ódio, a fuga do orfanato... Mistérios, mistérios, mistérios... Suas fics sempre começam cheias deles... E como suas resoluções são muito boas, vou acompanhar pra ver no que vai dar!

Bem, falei e falei e não sai do lugar (o comentário ficou igualzinho ao dos demais leitores ._.). Vou ler o dois assim que possível e volto pra postar ^^'

PS: E o que há demais numas tripas voando por aí, hum? o.o
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Re: Underdog Crisis

Mensagem por Arthur em Ter 27 Dez 2011, 2:16 pm

Não li todos os comentários, então se eu repetir alguma coisa que você já respondeu, releve.

Bom, li o capítulo 1, apenas. Diferentemente do Wolf, eu gostei do nome sim. De uns tempos pra cá tenho preferido usar o português, mas nesse caso acho que a opção pelo inglês foi melhor.

Não sou um grande fã de pokemon. Acho que joguei todos os jogos até Diamond, por isso sei de algumas coisas, mas realmente não me lembrava de quem era Cranidos, apesar de ao ver a imagem me lembrar imediatamente que o líder do primeiro (?) ginásio em Diamond tinha um.

Já disse que não sou fã de pokemon, mas gostei bastante de como você trabalhou nesse ambiente, e o final do capítulo 1 me deixou com vontade de ler imediatamente o segundo.

Só alguns errinhos que vi(sim, sou chato kkk):
- Ao descrever o cara loiro, você diz que ele usava "e tênis de marrom claro com algumas tiras mais escuras". Acho que faltou alguma palavra aí. Talvez "couro" ou algo assim.
- Teve alguma coisa na parte q o Munchlax entra na casa, mas não me lembro agora.

Vou ler o capítulo 2 assim que puder, mas agora vou escrever um pouco. Me deu muuuita vontade.

de marrom claro

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Re: Underdog Crisis

Mensagem por Leonardo Polli em Qui 29 Dez 2011, 8:05 am

Nesse capítulo descobrimos a identidade do sujeito que abordou Raz, cujo nome é Mauri. Gostei da personalidade dele, me identifiquei bastante - é um alguém curioso e sempre tá mexendo nas coisas. Inicialmente pensei que ambos chegariam na casa do treinador que está com o Azurill raro de Mauri e encontrariam o mesmo lá, mas ele sumiu... onde será que ele ta? E porque a mãe dele é tão melancólica daquele jeito, o quadro realmente causa aquilo conforme a lenda?

Serenity parece ser uma mulher sem medo e confiante de si, mas aparentemente ela entrou em estado de choque a partir do momento em que viu a cadeira de rodas, juntou com a gota que caiu do teto e lembrou-se da lenda da menina... Ela realmente existe, ou é só lenda mesmo? Creio eu que seja algum pokémon que viva lá dentro e que tenha sequestrado Houndour e o Munchlax, também.

E o que Raz fez que alguém irá acordar e revelar tal feito? LOL, que foda. Espero as respostas, o suspense tá muito forte e eu adoro isso! Aguardo o próximo \o
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Re: Underdog Crisis

Mensagem por Collector em Seg 02 Jan 2012, 6:37 pm

Gatsu - Que bom que a leitura fluiu bem, isso é muito importante pra mim =D Tentarei dar uma olhorada na descrição dos Pokémons. Confesso que não tinha reparado nas inúmeras semelhanças que o Raz tem com o Ryoma xD Ambos são um pouco mais fechados por conta do passado sofrido que tiveram, mas creio que as personalidades deles vão acabar se mostrando bem diferentes.

E sim, vamos ter bastante mistério por aqui. Mas talvez a solução dos mesmos apareça um pouco mais rápido do que costumam aparecer em fics minhas (isso quando a solução era mostrada =x) E grato pela presença, espero que continue agradando o/ E não tem nada demais, cada um tem seu gosto né o.o"

Arthur - Que bom que gostou do nome, não estou sozinho nessa xD E sim, o Cranidos é usado pelo primeiro ginásio de Diamond / Pearl / Platinum e a maioria dos Pokémons mostrados vão ser desse jogo mesmo.

Já eu sou bem fã de Pokémon, mas quis trabalhar de um modo que realmente fugisse de como as fanfics de Pokémon geralmente são xD. Fico feliz em saber que o ambiente agradou.

Sobre o erro, eu acho que a intenção foi escrever "de cor marrom-claro", mas vou dar uma verificada xD Valeu por avisar. Espero que continue gostando o/

Leonardo - Mauri sempre acaba se metendo onde não deve e costuma terminar mal xD. Sobre onde está o garoto que ficou com o Azurill e porque a mãe dele está nesse estado, saberemos em breve.

A Serenity realmente não é do tipo que se assusta fácil, mas talvez esse conjunto de coisas estranhas esteja chegando perto de tira-la do sério. Mas vamos ver como ela vai reagir e se vai conseguir rever seu Houndour.

E sobre o que o Raz fez, só mais pra frente saberemos xD

Grato pela presença de todos o/
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Re: Underdog Crisis

Mensagem por Wolf em Qua 04 Jan 2012, 10:48 am

Finalmente eu li o segundo capitulo =x
Vc ta melhjorandpo na descrição dos pokemons,mas ainda estão meio fracas, mas achoq não vai demorar pra vc pegar o jeito.
A fic comça a ficar muito sinsitra e foi bem rapidamente, o que é bem legal pq já passa o estilo dela logo de inicio xD E como é comum nas suas fics, lendas e misterios começama a aparecer,o q só da mais vontade de ler a fic x.x
Bom espero o proximo \o
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Re: Underdog Crisis

Mensagem por Gustavo Andrade em Ter 17 Jan 2012, 12:59 pm

Nhá, olha as fanfictions do Colle de volta para a digimonFOREVER.

Devo dizer que ainda me surpreendo com as histórias que você cria e como consegue acrescentar aquele toque especial de mistério para cada personagem, tornando a vida deles antes desse momento da fanfiction ainda mais interessante para os leitores. Enfim, adorei a forma como você acrescentou mais realidade no mundo de Pokémon sem fazer mudanças drásticas no universo do anime, deixando apenas mais adulto e sério. Mas o primeiro capítulo me agradou mais que o segundo.

Somos apresentados à personagens interessantes e misteriosos, que certamente estarão envolvidos nos acontecimentos bizarros que acontecerão nessa cidade. Os Pokémons estão com descrições um pouco confusas e também não estão excelentemente trabalhados como os Digimons das suas fanfictions, mas creio que você acabará se acostumando e melhorando nesse quesito. Aliás, o único que consegui identificar através da descrição e não pelo nome foi o Houndour, ainda que tenha ficado um pouco vago para os leitores terem certeza.

Não tenho nada a acrescentar sobre a estrutura e organização, porque você sempre caprichou bastante nessa parte, mas encontrei alguns errinhos nos dois capítulos. Não vou me lembrar agora quais eram os erros e em que cenas se encontravam (tive que parar a leitura várias vezes), contudo acredito que a maioria seja falta de atenção. Uma revisadinha extra seria o suficiente nesses casos.

Enfim, a história com mistérios e suspense me agradou muito, o que atrai os leitores. Espero que você continue postando a fanfiction, revelando aos poucos os mistérios, pregando peças nos leitores como sempre esteve fazendo, nos fazendo pensar em uma coisa quando na verdade seria outra, entre outras coisas que você aprendeu a utilizar muito bem em seus textos. Boa sorte com "Underdog Crisis", Colle.

Um abração.

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Re: Underdog Crisis

Mensagem por Collector em Qua 18 Jan 2012, 6:37 pm

Wolf - Um dia eu chego lá então =x E sim, como a fic não é tão longa assim, achei melhor mostrar logo o estilo dela.

Mistérios são sempre bons de qualquer forma xD Mas dessa vez talvez as respostas venham um pouco mais cedo, diferentemente de outras fanfics minhas =x

Gustavo Andrade - Fico feliz que tenha se surpreendido com a história ^^ Meu objetivo era mesmo fazer uma fanfic mais madura, mas sem modificar a estrutura básica de Pokémon ou descaracteriza-la.

É minha primeira fic de Pokémon, então não esperava que o uso deles fosse ficar bom logo de início, mas tentarei melhorar daqui pra frente X.x

E grato pelos elogios. Essa fic não vai ter capítulos postados com muita velocidade, mas pretendo continuar postando sim!

---

Enfim, depois de uma longa demora, aqui está o Capítulo 03. Ficou um pouco mais curto do que o anterior, mas achei melhor encerra-lo no ponto onde ele foi encerrado mesmo.

---


Raz estava incapaz de permanecer parado em um mesmo lugar por mais de dois segundos, tamanho era seu nervosismo e agitação. O plano absurdo que Renan tivera não saía de sua cabeça, assim como a sensação de que ele estava para fazer uma besteira gravíssima. Pior, sabia que teria que fazer parte disso, de um jeito ou de outro.

Decidiu que precisava de ar para organizar suas ideias. Rumou para o jardim do orfanato, atravessando o salão principal. Este era um local amplo, com piso de madeira e paredes brancas, sobre as quais estavam encostados vários sofás velhos, mas confortáveis, onde as crianças podiam se sentar para assistir a única televisão que havia na residência. Foi a maior diversão dele durante um bom tempo.

No trajeto, Raz encontrou a única coisa que talvez o prendesse àquele lugar quando chegasse a hora de partir. Era Tobias, seu irmão mais novo, que estava perto da escadaria em forma de espiral que levava ao andar onde ficam os quartos. Ele segurava um caminhão de brinquedo pequeno, de plástico e vermelho, o qual ficava arrastando pelo chão continuamente.

Ele era cinco anos mais jovem que Raz e incrivelmente parecido com o mesmo, excetuando o fato de ser mais baixo. Tinha cabelo de cor castanho-claro, liso e curto, além de olhos de mesma cor, rosto fino, pele excessivamente clara e corpo magro. Vestia o uniforme padrão do orfanato: uma camiseta branca, calça marrom e tênis de marca qualquer. Mesmo após o irmão aproximar, Tobias não parou de continuar movendo aquele caminhão, com os olhos fixados sobre o brinquedo.

- Não brinque perto da escada, pode atrapalhar as pessoas. – Raz disse ao passar pelo local, sem parar sua caminhada.
- Papai estava atrapalhando alguém quando ele morreu? Ele foi atropelado por um caminhão igual a esse, não foi? – O irmão perguntou.

Aquilo bastou para chamar sua atenção. Há dias que ele estava insistindo em repetir coisas desse tipo. Mas ninguém achava estranho. Diziam apenas que ele se sentia só, pois as outras crianças pequenas não brincavam com ele e que com o tempo isso iria passar. Entretanto, a verdade é que ele nunca foi o mesmo desde aquele dia. O aspirante a treinador sabia disso, mas nunca soube o que fazer. Talvez ele também acreditasse que isso iria passar com tempo. Ou queria acreditar pelo menos.

Quando se virou para ele, Raz viu que o irmão o encarava com aquele olhar de criança curiosa e feliz, além de um sorriso sincero. Porém não era só isso. Aquele olhar parecia esconder coisas incompreensíveis. Certamente havia algo a mais tirando a curiosidade. Algo que ainda o traria muitos problemas no futuro.

- Não fique dizendo essas coisas. – Na falta de algo mais inteligente para falar, deu alguma resposta genérica. Nunca foi bom em assuntos delicados como esse.
- Está bem. – Ele disse, voltando a brincar com o caminhão de brinquedo, com os olhos fixos sobre o mesmo.

Aquela naturalidade chegava a ser a pior reação possível. Não se tinha mais a menor ideia do que se passava na cabeça desse garoto, se é que havia algo se passando ali. Tobias não se relacionava com outras crianças e já fazia um tempo que ele agia de uma forma bem mais esquisita do que quando eles chegaram ao orfanato. Algo dizia a Raz que tal comportamento era apenas o começo e que coisas muito ruins viriam. Podia ser apenas paranoia da cabeça dele. Sim, pensava que era apenas isso. E ele que continuasse com as esquisitices dele. Sozinho.


Capítulo 03
Desligamento e Fingimento


Os jovens escutaram passos arrastados. Logo viram que aquela senhora se aproximava. Raz tentou disfarçar o espanto que sentira ao ler aquela mensagem, pois não queria ser questionado caso reparassem em seu estado. A dona da casa retornou e, lentamente, fez sinal para que ambos se sentassem e ofereceu uma xícara de café a cada um deles, que agradeceram.

- Sem querer ser fuxiqueiro... Mas por que tem todas essas xícaras de café aqui na mesa? – Perguntou Mauri.

Raz sentiu uma momentânea vergonha pela forma como o rapaz abordara aquela senhora, porém também tinha curiosidade em descobrir a resposta para isso.

- Oh... O Marcus gosta de tomar seu café da tarde... Sempre nesse horário. Por isso eu sempre deixo a xícara aqui na mesa, para ele pegar. – Respondeu a senhora, aparentando um pouco de tristeza. Mauri a encarou com extrema estranheza e continuou os questionamentos.
- E... Por que ele não pegou essas que estão na mesa? – Perguntou, fazendo Raz novamente se envergonhar e preferir ficar em silêncio.
- Ele saiu de casa faz oito dias... E não voltou mais.

Os dois jovens se entreolharam, surpresos com o que haviam acabado de escutar. A senhora permaneceu cabisbaixa, sem vontade de levar o assunto adiante.

- Tem alguma ideia de onde ele pode ter ido? – Questionou Raz, agora aquele que aparentava estar mais curioso.
- A última vez que o viram foi perto da Great Marsh, mas até agora a polícia não deu notícias. – Disse a mulher, sem olhar para o garoto.
- Entendo...

Ambos saíram da residência daquela senhora após despedir-se dela com um genérico e não muito otimista “avisaremos se descobrirmos algo”. Agora caminhavam pelas ruas de Pastoria. Embora eles continuassem intrigados com tudo aquilo, o fato de não mais estarem naquela casa trazia um estranho alívio, como se metade do clima sombrio houvesse ficado para trás, junto com todas aquelas xícaras de café frio e a tristeza daquela mulher.

- Então... Não vou poder te ajudar...
- O que acha que é aquilo? Será que aquela história que passa na TV é verdade? Que os Pokémons shinys fazem coisas estranhas acontecerem? Como o Marcus sumir?
- Não acredito nessas coisas. – Respondeu Raz, secamente. – Mas de qualquer forma, eu...
- Olha ali!

O jovem se incomodou com a interrupção. Estava tentando dizer a Mauri que não poderia fazer mais nada por ele, encerrar a conversa e que cada um seguisse seu caminho, mas o rapaz persistia em continuar falando com ele e Raz não conseguia se desvencilhar.

- Olhar o que? – Perguntou, não vendo nada extraordinário. Havia, no outro lado da rua, apenas um grupo de três crianças seguindo um adolescente, todas de costas para a dupla.
- É ele! O cara que tá com meu Azurill! – Exclamou Mauri, falando em um tom tão alto que qualquer um teria escutado. Menos aquele quarteto, que continuou seguindo seu caminho.

Raz surpreendeu-se novamente. Era muita coincidência achar o desaparecido imediatamente após saberem que ele se encontrava em tal situação. Via que o garoto vestia uma camisa xadrez azul e calça jeans de mesma cor, além de usar um par de tênis branco. Não era possível ver seu rosto, apenas seus cabelos negros, pouco compridos e bagunçados. Já as crianças estavam todas com um casaco de lã amarelo-claro com capuz, calça e tênis de cor marrom. Nenhuma delas era identificável.

- Hey! Vamos segui-lo! – Disse Mauri, começando a andar na direção do quarteto.

O rapaz novamente teve vontade de reagir e dizer que o homem estaria sozinho nessa. Porém, não conseguiu e acabou o seguindo, mesmo não aprovando a ideia.

||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||

Serenity analisou melhor aquela cadeira de rodas. Não havia nenhuma anormalidade, exceto por aparentar estar muito velha. Growlithe a atrapalhava, agarrando-se à sua perna, assustado, mas nem parecia ser notado pela mulher, cuja atenção estava completamente presa ao objeto.

- Muito engraçado... Tem alguém aqui brincando de fingir que é assombração. – Afirmou a mulher, em voz alta, em uma tentativa de intimidar a possível pessoa que estivesse fazendo tal brincadeira.

Entretanto, Serenity não obteve resposta, não verbalmente. Quando menos esperava, um pó branco foi atirado em seu rosto, fazendo-a fechar os olhos e começar a tossir. Growlithe tapou os olhos com suas patinhas, tremendo de medo.

- Coff! Coff! Isso é... Coff! Coff! Gi-giz?

Ela havia descoberto, pelo cheiro, do que se tratava aquele pó branco. Sua reação imediata foi mirar seu olhar para o antigo quadro negro da sala de aula. E empalideceu ao encontrar uma mensagem que não estava ali anteriormente. Escrito em letra cursiva não muito bonita e ocupando quase metade do espaço total, estava a frase:

”No dia mais negro da minha vida, esta cadeira veio, transformando em dor todos os poucos sentimentos que me restavam. Se eu ficarei presa a esse horror, então farei com que todos fiquem presos em algo ainda pior...”

Serenity balançou a cabeça negativamente, com um olhar que revelava uma pessoa intrigada e com resquícios de medo. Por algum momento pensou que aquilo realmente não fosse brincadeira. Mas procurou manter a calma, pois ainda havia a possibilidade de aquilo ser obra de algum Pokémon.

- Eu acho melhor... Sairmos daqui. – Afirmou a mulher, engolindo seco.

Growlithe pareceu concordar completamente com a sugestão. A dupla se retirou da sala, evitando chegar muito perto da cadeira de rodas. Até encontrarem o corredor. Ambos repararam que tudo parecia mais escuro do que anteriormento e a respiração parecia ter ficado mais difícil. Acabaram decidindo parar, pois estavam com uma estranha sensação de que algo aconteceria caso avançassem. Olharam as duas direções, procurando identificar uma possível causa de tal sentimento.

- Serenity, não perca a compostura. – Disse a mulher para si mesma, tentando estimular a si própria. - Não tem nada demais aconte...

Antes que ela conseguisse sequer terminar aquela frase, uma voz muito mais alta a interrompeu bruscamente.

- NÃO ME DEIXE CAIR! – Berrou uma estranha criatura, que surgiu atrás da dupla.

Ao se virar, Serenity não conseguiu impedir que um grito de horror escapasse. O ser que estava diante deles parecia uma humana, mas não possuía nenhuma das pernas, apenas levitava. Era uma adolescente de cabelos negros, curtos. Sua franja cobria parcialmente sua face. Sua pele era completamente branca. Usava um vestido branco simples, com algumas manchas de sangue e rasgados em algumas partes, principalmente na região onde ficariam os membros inferiores. Seus pulsos apresentavam cortes com sangue coagulado. Tinha uma voz feminina e delicada, mas muito assustadora naquela situação. Os dois intrusos a encararam com os olhos arregalados, perdendo completamente a fala.

- Não me deixe... Cair... Ahhh!

Após soltar um grito, a coisa avançou na direção de Serenity com os braços levantados, visando enforcar a mulher. Esta sentiu as mãos gélidas tocarem seu pescoço e tentou se salvar segurando a criatura pelos braços, tentando joga-la para longe de si. Entretanto, a força da vítima parecia inferior.

- Me larga!!! Elvis...

Mesmo apavorado, o cão reagiu ao ver sua mestra ser atacada. Por mais que seu medo fosse grande, o desejo de proteger a moça sempre prevaleceria. Ele saltou na direção do fantasma, de olhos fechados, e a acertou com uma cabeçada certeira. O golpe não a fez largar a mulher, mas a distraiu o suficiente para que Serenity reunisse toda sua força e empurrasse a coisa para longe de si mesma.

- Não me deixe... – Longe da dupla, a assombração colocou as duas mãos sobre o rosto e começou a chorar copiosamente, produzindo ruídos que ecoavam por aquele escuro corredor.
- Vamos correr! – Gritou a treinadora.

Nenhum dos dois esperou para sair em disparada. Por mais velocidade que imprimissem, aquele corredor parecia mais longo do que anteriormente e, a saída, cada vez mais longe e inacessível.

- Depressa! Temos que... Ahhh!

Os dois interromperam a caminhada abruptamente ao avisar o fantasma poucos metros à frente deles. Já havia parado de chorar e seus olhos vermelhos brilhavam em meio àquela escuridão.

- No dia mais negro da minha vida... – Ela começou a falar. Inicialmente de um jeito delicado e dócil. Mas o tom mudou bruscamente para uma voz mais grave e aterrorizante. – Vou fazer com todos o que fizeram comigo!

Ainda paralisados pelo medo, a dupla viu a assombração retirar uma Pokébola de seu vestido. Estava parecia ser muito antiga, de cor preta e com algumas visíveis rachaduras. Ela a lançou para o ar e o objeto lançou um raio avermelhado sobre o chão, no qual outra estranha criatura surgiu. Parecia ser um Pokémon de pelúcia em tamanho real. Era rosa, de formato oval, com membros curtos e olhos pretos. Sua cauda tinha formato de espiral, suas orelhas eram pontudas e apresentavam uma extremidade marrom. Entretanto, também parecia ser muito antigo. Um de seus braços parecia costurado e, no abdome, havia um grande rasgão por onde se podia observar uma pelúcia amarelada, além de cortes menores em outras partes do corpo.

- Um Clefairy... De pelúcia? – Questionou Serenity, não compreendendo o que viria a seguir.
- Pound... – Ordenou a assombração, com a voz grave e demoníaca.

Os olhos do Pokémon de pelúcia assumiram a cor vermelha e ele se levantou de um jeito desengonçado, quase deixando um dos braços caírem no processo. Rapidamente, ele saltou na direção da criatura de fogo. Aterrorizado, Growlithe abriu sua boca e lançou labaredas para todas as direções possíveis, quase acertando sua treinadora em uma delas. Clefairy conseguiu esquivar, mas precisou cancelar seu ataque antes.

- Elvis, mantenha a calma! Pode por fogo na escola inteira! Use seu Bite! – Comandou Serenity, procrando manter o controle.
- Minimize... – Disse o fantasma.

O cão, tentando reunir toda a coragem possível por sua treinadora, correu em direção a Clefairy e tentou ataca-la com uma mordida. Entretanto, esta diminuiu seu tamanho momentaneamente, fazendo apenas com que seu adversário mordesse o ar.

- Tente de novo, Elvis! – Pediu a mulher.

Growlithe atacou novamente com seu Bite, porém o Pokémon de pelúcia conseguiu desviar novamente, ainda que com maior dificuldade.

- Doubleslap! – A assombração deu um novo comando.

Sem chances para desviar, o Pokémon de fogo viu seu oponente se aproximar e acertar três tapas consecutivos. Todos eles doeram e o último o fez rolar sobre o piso, batendo em uma das paredes. Apesar de ser de pelúcia, aquele Clefairy tinha uma força fora do comum.

- Elvis!!!
- Eu nunca tive a chance de ter meus próprios Pokémons... Por isso comprei um de pelúcia. – Afirmou o fantasma, novamente assumindo um tom dócil. – Doubleslap!

Clefairy começou a correr na direção do cão, com um olhar maligno em sua face. Serenity se apavorou, pois sabia que aquele poderia ser o fim de seu Pokémon.

- Elvis! Você tem que se recompor e usar o Roar!

A mulher não acreditava que aquilo poderia dar certo, pois não estava enfrentando um Pokémon comum. Porém não conseguiu pensar mais nada naquele momento.

Já o Pokémon cão, embora estivesse tomado pelo pavor, ainda se motivava a seguir em frente por conta da voz aflita de sua treinadora. Quando Clefairy estava quase próxima, Growlithe se levantou e soltou um forte latido. E o inesperado aconteceu: uma luz vermelha envolveu a criatura de pelúcia completamente e esta, assumindo a forma de raio, voltou para a Pokébola negra que a assombração segurava.

Serenity ficou espantada pelo efeito da técnica ter dado certo. Apesar daquele Pokémon ser de pelúcia, havia se comportado exatamente como qualquer outro Pokémon se comportaria. Começou então a desconfiar da veracidade de toda aquela cena de terror,

Entretanto, antes que a mulher conseguisse pensar em qualquer coisa, seu raciocínio foi interrompido por vozes masculinas vindas de um dos corredores.

- Vamos, tenho certeza que vieram pra cá! – Disse uma delas.

A assombração desapareceu imediatamente, deixando Serenity e seu Pokémon abismados. Demorou um pouco até eles perceberem que havia dois garotos se aproximando e estes também pareciam surpresos por encontra-los ali dentro.

- Olá, moça! – Disse Mauri. – Por acaso viu um grupo de três crianças e um cara passarem por aqui?
- Nã-não... – Ela respondeu, sem prestar atenção por completo naquela dupla.
- Tem certeza? A gente jura que eles vieram pra esse corredor...
- Não vi e é melhor sairmos daqui!

Em seguida, a mulher correu desesperada, acompanhada por Growlithe, e passou direto pelos dois garotos, que se encararam com estranheza.

- O que deu nela? – Perguntou Mauri.
- Não sei... Mas é melhor irmos ver. – Sugeriu Raz.

Aquilo era mais um pretexto que o rapaz encontrou para dar fim àquela perseguição na qual estava participando involuntariamente. Mesmo sem gostar totalmente da ideia, o garoto mais velho acabou concordando.
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Re: Underdog Crisis

Mensagem por Leonardo Polli em Ter 24 Jan 2012, 6:27 am

Um capítulo curto, porém bastante chamativo.

Destaque para a descoberta de que Raz possui um irmão. Por que tal paranóia com o caminhão? Será que ele pegou trauma do acidente que seu pai sofreu e acabou morrendo? Percebo que o passado de Raz é algo que será mostrado várias vezes na fanfic, pois ainda há bastante segredos sobre ele, com certeza.

E caramba, mal eles saem da casa e já dão de cara com o Marcus? Como assim? Ou não era o Marcus? Mal eu imaginava que eles estavam muito próximos e acabaram entrando no local onde Serenity e seu Growlithe haviam ido procurar o Houndour, acabando por conhecer a garota. E era um fantasma mesmo aquilo? Porra, essa cena ai ficou muito natural e simples e transmitiu um medo muito foda o.o E como que a menina-fantasma tinha um Pokémon? Isso é possível? Ah, duvido que seja um fantasma. Aposto que é alguém tentando assustar Serenity.

A trama vai se desenvolvendo e, à medida que responde algumas dúvidas, faz com que surjam outras! E isso é muito bom, faz nos pensar mil coisas. Aguardo o próximo!
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Re: Underdog Crisis

Mensagem por Collector em Qui 16 Fev 2012, 6:22 pm

*Assopra pra tirar o pó*

Grato pela presença. Os capítulos não vão ser muito grandes mesmo. O Tobias definitivamente não é uma criança comum... Nesse capítulo ele vai mostrar mais uma de suas facetas e um outro pedaço do passado do Raz vai ser mostrado.

E nos próximos capítulos saberemos o que aconteceu com as pessoas / Pokémons que adentraram nessa escola e o que realmente era a "assombração". Ouso dizer que é algo que pode causar alguma surpresa o/

Depois de um tempão, acabei mais um capítulo. Daqui para frente as coisas vão ficar mais difíceis para os personagens e para o escritor, que está com as férias acabando e vai ter ainda menos tempo disponível x.x Enfim, eis o cap.

------------


Um programa sobre treinadores de Pokémon era exibido na televisão. No início, Raz, que estava esparramado folgadamente no sofá, achou interessante. Mas não demorou muito até começar a se entediar. Queria sair em sua própria jornada, não ficar escutando sobre a jornada dos outros.

Quando estava prestes a trocar de canal, viu a porta que dava para o jardim se abrir e permitir a entrada de uma figura bem conhecida. Era Anita, a governanta do orfanato. Uma mulher que devia estar na casa dos cinquenta anos, com cabelos grisalhos e presos, rugas de expressão e semblante sereno. Seu uniforme azul estava um pouco sujo de terra.

Ao seu lado estava uma menina que não devia ter mais de dez anos, com as roupas igualmente imundas. Era Celes, uma menina de cabelos loiros e curtos, pele clara. Uma outra coitada que morava no orfanato e que não costumava brincar com outras crianças.

Ela trazia um pequeno Pokémon inseto em seus finos braços. A criatura era amarronzada, com grandes antenas negras e patinhas de mesma cor. Parecia ser um grilo, com um tipo de traje formal que na verdade fazia parte de seu corpo. Era um Kricketot, um ser bastante comum nessa região. Ele tremia de medo, o que era compreensível, uma vez que a menina o segurava com força.

Foi fácil para o garoto imaginar que a mulher havia ajudado a garotinha a pegar aquele bicho e por isso havia se sujado, algo com o qual ela não se importava, pois sempre foi bastante dedicada para com as crianças.

- Raz, olha o que a Celes encontrou no jardim! Não é uma coisa lindinha? - Perguntou Anita, com o mesmo sorriso maternal discreto de sempre.

Ele teve vontade de dizer que aquela era a criatura mais inútil e menos respeitada que habitava a região de Sinnoh, mas preferiu se conter e se limitou a responder afirmativamente, movendo seu rosto. Entretanto, a pergunta que veio a seguir foi inesperada e, por razões que ele desconhecia, o causou certo mal estar.

- Celes, por que não leva esse bichinho lá para cima, onde o Tobias está? Tenho certeza que ele vai gostar e querer brincar junto com você! Não é uma boa ideia, Raz?
- Humm... Não sei... – Ele tentou se mostrar contra, mas, como sempre, não conseguira ser convincente.
- Claro que é! Vai lá, Celes! – Insistiu a governanta.

O que Anita estava tentando fazer era óbvio: juntar as duas crianças mais solitárias do orfanato. Suas intenções eram as melhores possíveis, mas Raz tinha a sensação de que aquela não era uma boa ideia, embora não soubesse explicar por quê.

A menina também parecia não ter gostado muito da sugestão, mas mesmo assim acatou, pois era uma submissa que não manifestava suas próprias vontades. Celes subiu as escadas com cuidado, temerosa, em silêncio e lentamente. Segurava Kricketot com um pouco mais de força. Após isso, o garoto tentou voltar sua atenção para a televisão. Mas, antes que pudesse fazer qualquer coisa, foi novamente interrompido pela voz da governanta.

- Raz, está mesmo decido a fazer essa jornada quando sair do orfanato?
- Sim... É o que eu sempre quis.
- E por que não tenta encontrar um ou dois companheiros de viagem? É tão perigoso viajar por aí sozinho. Não viu no noticiário? Mais de cinco crianças desapareceram nos últimos cinco meses e...
- Eu não sou mais criança, Anita. – Interrompeu, tentando ao máximo ser delicado. – Eu agradeço pela preocupação, mas eu vou ficar bem, garanto!

Quando ela se preparou para responder algo, a conversa foi interrompida por um choro de criança vindo do andar de cima e mais alguns ruídos que nenhum dos dois soube identificar. Aquela sensação ruim de Raz voltou e, dessa vez, parecia muito pior. Não era incomum alguma criança chorar nesse lugar, mas dessa vez certamente havia algo a mais. O choro vinha do quarto de Tobias, ele tinha certeza.

Ele se levantou e subiu as escadas com pressa, quase tropeçando em um dos degraus. Anita o seguiu, mas em uma velocidade um pouco mais limitada por conta de sua idade. Ao terminar de subir, chegou a um corredor bastante comprido e reto, cheio de portas que davam para os quartos das crianças. O choro estava ainda mais audível e, como ele imaginou, realmente parecia vir do quarto de seu irmão mais novo.

Aquela sensação ruim havia piorado e Raz hesitou durante alguns instantes, o que deu tempo para Anita o alcançar. Após respirar fundo, tomou coragem, adentrou no terceiro quarto da direita e, após entender o que acontecia, sentiu o chão em baixo de seus pés desabar e colocou a mão em sua boca, para evitar que seu almoço fugisse por conta da cena que estava presenciando.

O quarto era pequeno, com três beliches de modelo simples de madeira, cada uma encostada em uma parede, além de um guarda-roupa de porta dupla. Havia alguns brinquedos espalhados sobre o carpete vermelho e também havia outra coisa espalhada que era a razão da náusea do rapaz.

Celes estava encostada em uma das paredes, chorando copiosamente enquanto assistia a cena, aos soluços. Tobias estava no centro do quarto, sentado com as pernas cruzadas, como uma criança brincando com seu novo brinquedo. Ele segurava uma tesoura ensanguentada em sua mão direita e prendia Kricketot ao chão com a esquerda. O pequeno inseto estava com uma série de cortes horríveis pelo corpo, pelos quais o líquido vermelho fresco escorria. Ele gemia de dor, mas em um tom quase inaudível, pois estava fraco demais. Jamais havia visto um Pokémon ferido daquele jeito e Anita também não, uma vez que soltou um pavoroso grito quando viu aquilo. Seus olhos pareciam quase saltar das órbitas.

- Tobias... O que... Que raios... O que você fez? – Questionou o irmão mais velho de um jeito meio gritado, meio espantado e meio sentindo medo daquilo, apesar de se tratar apenas de uma criança.
- Oi, irmão! É que tá muito calor e achei que esse bichinho ia querer ficar sem esse casaco dele. Tá muito quente, não? – Tobias o respondeu.

Era aquela expressão facial de sempre: um sorriso que para qualquer um parecia sincero, um olhar que esbanjava brilho de uma felicidade incomum. Sim, ele parecia feliz e continuou com aquele olhar, que agora mais parecia um olhar de maldade do que qualquer outra coisa. Como se ele se sentisse feliz por estar fazendo aquilo.

- Você vai embora em breve... Por que não vem aqui brincar comigo uma última vez? – Tobias perguntou, erguendo lentamente a tesoura da qual algumas gotas de sangue ainda pingavam sobre o tapete. Foi o suficiente para fazer Raz engolir seco.


Capítulo 04
Insistência


Mesmo com o céu nublado não desanimou Bridget da tarefa de treinar seu Pokémon para a competição que se aproximava. Era o maior evento da cidade, com milhares de pessoas assistindo. Já havia tentado participar no ano passado, mas ficara longe de ser a vencedora. Dessa vez, não podia fazer feio. Era uma questão de honra.

A criatura que treinava era do tipo lutador e venenoso, assemelhando-se a um sapo bípede azul com bandagens em torno de seu abdome, manchas vermelhas em suas bochechas, olhos amarelados, um largo sorriso, além de mãos e pés negros. A dupla estava em um campo gramado aberto, com a garota protegida sob a sombra de uma árvore, embora o sol estivesse oculto pelas nuvens e não incomodasse.

- Vamos lá, Bruder! Use seu Faint Attack de novo! Precisamos aprimorar essa técnica! – Ordenou Bridget, empolgada.

Entretanto, o Pokémon não compartilhava da mesma animação. Ao invés de obedecer, simplesmente se sentou sobre a grama, suspirando. Estava exausto e nem toda a animação de sua mestra parecia fazer qualquer diferença.

- Já tá cansado? Mas só estamos começando!!! – Gritou a treinadora, tentando agitar a criatura. Mas, ao ver que não surtira efeito, desanimou por completo. – Assim vamos ser atropelados pela Camille pelo segundo ano seguido...

Um pouco mais calma, Bridget encostou-se sobre a árvore e deixou seu corpo deslizar para baixo, sentando-se. Respirou fundo, pensando na situação em que se encontrava e que não era nem um pouco favorável.

- Não tem jeito... Além da metida da Camille, ainda tem a minha irmã... O Croagunk dela é tão incrível, forte e carismático... Acho que eu não vou ter nenhuma chance... – Suspirou a garota. – Se ao menos tivéssemos treinado mais durante todo esse tempo...

Ela então percebeu que Bruder sequer lhe dava atenção. Estava cochilando, deitando sobre a grama. Isso a desanimou ainda mais, embora já não houvesse muito ânimo restante.

- Acho que nunca vamos conseguir... Nascemos para ser perdedores e morreremos assim... Hã?

Ao olhar para frente, perdida em meio a seu derrotismo, Bridget notou que um Pokémon corria por entre algumas árvores. Parecia ser a criatura que recordava se chamar Munchlax, mas com pelos em tom de azul celeste que não eram característicos dessa espécie.

- Aquele Pokémon? Será que é Shiny? Será que é a nossa sorte mudando? O dia em que os oprimidos vão reagir e subverter os opressores? – Perguntou-se a jovem, vendo uma oportunidade de ouro passar bem à sua frente. – Rápido, Bruder, precisamos pega-lo!

Porém isso foi inútil, pois o Pokémon permaneceu dormindo. Não escutava ou fingia não escutar todo e qualquer barulho à sua volta. E, antes que a garota conseguisse desperta-lo, a criatura já havia sumido de vista. Desanimada, ela voltou a se encostar sobre a árvore, fechando os olhos.

- E lá se foi ele... Desse jeito, realmente nós nunca ganharemos nada...

Foi quando escutou uma estranha voz masculina no interior de sua mente.

- Você pode ganhar sim, só tem uma coisa que precisa fazer.

A garota abriu os olhos subitamente, assustada. Olhou para os lados e até para cima, mas não encontrou ninguém por perto além de seu Pokémon. Croagunk também aparentou não ter ouvido nada, pois continuava cochilando.

- Quem disse isso?
- Só faça uma coisa e poderá ser a campeã desse torneio... – Insistiu a voz, deixando a garota ainda mais intrigada.

||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||

Após se dirigir para o Cranidos lanches, Serenity pediu um copo de água. Ao erguê-lo, sua tremedeira fez com que metade do líquido fosse ao chão e o resto foi bebido em um único gole. Colocou o objeto de vidro sobre o balcão, pedindo mais.

Raz e Mauri a haviam seguido e perguntado o que acontecera naquele colégio abandonado. Mas a mulher não conseguia responder direito. Não só estava demasiadamente atordoada, como sequer tinha certeza do que tinha acontecido ali.

- Quem são vocês? E ai, minha vista! Tudo estava em tons de rosa quando eu saí daquela escola e tive a sensação de que duas Mareeps me seguiram durante todo o caminho pra cá. – Disse Serenity, ainda confusa.
- Nós é que te seguimos... – Afirmou Raz, estranhando muito aquele comportamento.
- As Mareeps pareciam altas mesmo... Ai... Esquece...

Serenity não demorou muito para se acalmar. Sempre foi o tipo de mulher que tentava manter o controle ou, ao menos, recupera-lo no menor tempo possível. Ouviu então que aqueles dois garotos estavam perseguindo um grupo de crianças junto de um rapaz que adentrara no mesmo colégio em que toda aquela cena assustadora acontecera. Em seguida, contou a eles que estava à procura de seu Pokémon desaparecido, mas sua busca foi interrompida por algo que até agora não compreendia o que era.

- Então é verdade mesmo a história do colégio ser mal assombrado? Eu achava que era só papo de gente bêbada. – Comentou Mauri, curioso como sempre ficava quando o assunto.
- Claro que não! Era alguém tentando me assustar... E conseguiu, momentaneamente. Mas eu não desisti! – Exclamou Serenity. – Se vocês não estiverem com medo, por que não vão comigo até lá, amanhã? Já que também estão procurando algo...

Embora tentasse demonstrar segurança, a mulher obviamente estava fazendo aquele convite na esperança de obter alguma ajuda. A ideia de encarar aquele colégio novamente era tranquila em sua mente, mas, na prática, sabia que seria outra história.

- Medo? Eu? Nunca! – Afirmou Mauri, confiante. – Vamos, não é, Raz?
- Eu...
- Tá decidido então! – Interrompeu o homem, antes que o garoto respondesse.

Raz já estava começando a se irritar com aquele hábito de ser interrompido sem que conseguisse abrir a boca. Porém acabou não protestando nesse momento. Embora não se importasse em ajudar Mauri a resolver suas trapalhadas, a ideia de visitar um local mal assombrado era estranhamente sedutora e o impedira de se mostrar contrário à decisão.

- Mas será que a história é verdadeira mesmo e aquela menina sofreu tudo aquilo? De repente ela tinha um dos Quadros de Buneary Chorando e foi a maldição que a fez passar por aquilo... – Sugeriu Mauri, pensativo.
- Não acredito que você acredita nessas coisas... Mas enfim... Então nos encontramos amanhã, às dez da manhã. Em frente ao colégio. – Disse Serenity, feliz com a resposta afirmativa, embora evitasse demonstrar tal sentimento. Jamais permitiria passar a imagem de uma mulher medrosa, ainda mais na frente de dois rapazes que provavelmente eram mais jovens do que ela.

||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||

No dia seguinte, os três estavam reunidos em frente ao colégio abandonado. O local estava silencioso, como se os barulhos da agitada cidade não chegassem a esse local sem vida. Após um breve momento de irritação por conta do atraso de Mauri, eles se dirigiram para a mesma janela que havia sido usada como entrada no dia anterior.

No interior do edifício, caminharam com cautela. Tudo estava exatamente como haviam deixado no dia anterior, como se nada tivesse acontecido. Exceto por uma coisa: uma pequena bola de lã que Mauri encontrou caída sobre o piso do corredor.

- Olhem... O que é isso? – Ele perguntou, abaixando-se para se aproximar do objeto.
- É melhor não por a mão, pode ser alguma armadilha. Isso não estava aí ontem. – Afirmou Serenity, apreensiva.
- Não deve ser nada demais... – Respondeu o homem.

Mauri tentou retirar a bola de lã do chão, mas notou que um fio do mesmo material a prendia ao piso. Assim que tentou imprimir mais força para arrancar o objeto, algo inesperado aconteceu: uma explosão de pó branco envolveu o trio. Tossindo fortemente e tentando proteger a visão, Serenity reconheceu aquele odor. Era o mesmo cheiro de giz que sentira no dia anterior, quando estava em uma das salas.

- Eu avisei! Coff! Coff! Que era uma armadilha! Coff! Coff! – Bradou a mulher irritada. – Mas você não me ouve!
- Foi sem querer... – Disse Mauri, virando-se para trás. – Hã? Raz?

Ao olhar para trás, a mulher notou que o garoto havia desaparecido assim que a explosão acontecera, sem fazer qualquer tipo de barulho ou deixar rastros. Uma hora ele estava ali e, no instante seguinte, não estava mais.

- Ra-raz? Onde que ele foi? Ele estava aqui agora pouco... – Questionou a moça, intrigada. Entretanto, antes que conseguisse sequer começar a raciocinar, foi interrompida.
- NÃO ME DEIXE CAIR! – Gritou uma voz feminina, fazendo com que a dupla quase pulasse de susto.

Quando tornaram a olhar para frente, viram a humana sem pernas que levitava com seus cabelos negros, curtos e seu vestido branco ensanguentado. Ela encarava a dupla com seus olhos avermelhados transbordando em ódio e dor.

- É a assombração! E-ela existe mesmo! – Disse Mauri, aparentando mais estar impressionado do que realmente assustador, como uma criança diante de uma grande descoberta.
- Assombrações não existem! Não vão me enganar dessa vez! – Jurou Serenity, determinada a não ser feita de boba novamente...
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