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[OFF-TOPIC]O Hobbit - Uma Jornada Inesperada

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[OFF-TOPIC]O Hobbit - Uma Jornada Inesperada

Mensagem por KaiserLeomon em Qua 09 Jan 2013, 5:07 pm

Quase uma década após o final da trilogia O Senhor dos Anéis, Peter Jackson retorna à Terra-média na adaptação em três partes do livro que começou tudo, O Hobbit. Criado como um romance para crianças, a "jornada inesperada" de Bilbo Bolseiro, o pequeno hobbit do título, aos poucos cresceu em seu autor, inspirando J.R.R. Tolkien a continuar escrevendo e desenvolvendo o mundo fantástico que havia inventado, inspirado por lendas e mitos europeus.

Aproveitando o tom mais leve e inocente da obra, Jackson deu ao longa O Hobbit - Uma Jornada Inesperada (The Hobbit: An Unexpected Journey), o primeiro da série, doses extras de humor e aventura e, como já havia feito em O Senhor dos Anéis, toma liberdades criativas com o material original para engrandecer a história. Personagens da Trilogia do Anel, que só foram criados anos depois da concepção de O Hobbit, são "convidados" a participar da aventura, bem como personagens citados apenas nos apêndices dos livros (parte do intrincado processo criativo de Tolkien). Jackson e sua equipe de roteiristas - Fran Walsh e Philippa Boyens, também de O Senhor dos Anéis, com a adição de Guillermo del Toro, que durante alguns anos ficou encarregado do filme -, assim, tornam a narrativa simples, inventiva e apressada do livro de 1937 em algo mais palatável para o grande público moderno, que precisa da estrutura segura de seus blockbusters.

Um vilão, por exemplo, é criado na figura de Azog (Manu Bennett, o Crixus da série Spartacus), um líder orc que flagelou anões nas histórias de rodapé da saga de Tolkien. O personagem é trazido aqui para criar um contraponto à nobreza de Thorin Escudo-de-Carvalho (Richard Armitage), o líder da comitiva de anões que parte, ao lado de Bilbo (Martin Freeman) e Gandalf (Ian McKellen), para reclamar seu legado na Montanha Solitária: a cidade de pedra e seus tesouros roubados por Smaug, o dragão (Benedict Cumberbatch). Jackson também faz mudanças para posicionar mais intensamente a trilogia O Hobbit como prelúdio, eliminando coincidências da trama, dando propósitos firmes a ela e aos seus heróis e vilões e costurando ocorrências como gatilhos para os eventos de O Senhor dos Anéis. A intenção de estabelecer melhor uma hexalogia é claríssima.

Nem tudo é perfeito, porém. Radagast, o Castanho (Sylvester McCoy), um dos magos da ordem de Gandalf, é um tanto exagerado e caricato demais em todos os sentidos (uma espécie de São Francisco de Assis do mundo de Tolkien, com o rosto coberto por cocô de passarinho). Suas cenas, ainda que importantes (é ele quem descobre que o mal se instalou nas ruínas da cidade de Dol Guldur), sempre escalonam para o dispensável e o pastelão - como na corrida de trenó de coelho.

Mas a ideia de exagero da ação, com todas as cenas terminando em pequenas batalhas ou correria, não é privilégio de Radagast. Várias cenas do livro O Hobbit foram mexidas para incluir algum tipo de heroísmo ao final. Com 169 minutos, o filme consegue apenas abordar seis capítulos dos 19 do livro, mais uma introdução e duas cenas de apêndices. Não há sequências "sobrando", mas certamente há alguma gordura em cada uma delas que poderia ter sido dispensada na sala de edição. A impressão é que Jackson ficou com receio das críticas que teria ao realizar três filmes menores e não dois grandes, como originalmente previsto. Uns 20 minutos a menos teriam deixado o filme perfeito em termos de duração considerando o material disponível (especialmente em 3D a 48 quadros por segundo, que gera certa fadiga). A "engrossada", que tira um pouco do brilho das interações entre os excelentes atores, funcionaria melhor em home video, para fãs sedentos por mais material.

Tecnicamente, não há do que reclamar. Jackson basicamente desenvolveu versões 2.0 de todos os efeitos especiais que inventou para a primeira trilogia. O sistema que cria exércitos com movimentação aleatória, para preencher grandes campos de batalha sem a necessidade de figurantes, está inacreditável. Basicamente, é possível acompanhar - com o auxílio da alta definição - qualquer personagem na tela e ver pequenas histórias se desenvolvendo em meio a milhares de embates. As criaturas também atingiram um nível de perfeição de deixar James Cameron com inveja. Os três trolls chegam a ser nojentos de verdade, enquanto wargs, goblins e orcs nunca estiveram tão fisicamente presentes. Sem falar em Gollum (Andy Serkis), que retoma sua coroa de melhor personagem 3D já criado, com um modelo ainda mais detalhado e capaz de mais nuances de expressão.

Igualmente incríveis são os cenários fantásticos, como Valfenda e Erebor. A Terra-média existe na telona e Jackson usa de todos os artifícios que conhece para relacioná-la também em nível emocional com a primeira trilogia. A música de Howard Shore segue os mesmos temas consagrados, agora com o apoio de novas e incisivas melodias para os anões, e até a fonte dos créditos é a mesma de O Senhor dos Anéis.

Uma Jornada Inesperada... a 48 quadros por segundo

Peter Jackson completa seu retorno à Terra-média com uma novidade tecnológica: os 48 quadros por segundo (desde a aurora do cinema, 24 quadros, metade da novidade, bastavam para que o cérebro humano registrasse as imagens em movimento). O resultado do dobro de informação, toda ela em alta definição e registrada em 3D pelas novíssimas câmeras Red Epic, é hipnótico e um tanto perturbador de tão perfeito. O Hobbit é quase hiper-realista nessa versão.

Basicamente, depois de alguma estranheza inicial (eu demorei uns bons minutos para parar de achar que tudo estava andando em câmera acelerada) e um ou outro momento de certa (pouca) vertigem, a definição cristalina empolga de verdade. É tudo tão irretocável - e dificil de explicar - que você se surpreende parando de prestar atenção no todo para encarar detalhes, como a textura de uma caneca, ou a forma como a água cai em uma cachoeira. É coisa de hobbit chapado depois de umas boas tragadas de Folha de Longbottom em seus cachimbos.

A clareza de imagem e movimento é tamanha que diversas vezes senti-me de certa forma - por mais bizarro que possa parecer - "invadindo" o espaço dos personagens durante os close-ups. Dá pra ver cada poro e nuance de movimento, cada fio de barba, cabelo ou fibra da roupa. É realmente impressionante, talvez até demais. O cinema, em seu mais de século de existência, sempre usufruiu de uma "aura" mágica estabelecida pela película e que aos poucos vem sendo quebrada pelos formatos digitais. Peter Jackson renega essa aura e dá um novo sentido a ela, entregando ao espectador uma visão em primeira pessoa não de fora da tela, mas dentro dela. Bem-vindo à Terra-média - e ao futuro do cinema.


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